Brasília – O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou neste domingo, 17 de maio de 2026, que a solicitação para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master será avaliada “dentro do regimento” da Casa.
Segundo Motta, a Mesa Diretora seguirá a ordem cronológica de apresentação dos sete requerimentos já protocolados no Congresso para investigar a instituição financeira. “Vamos dar um tratamento regimental a essa situação e cumprir o regimento da Câmara, que vai nortear a decisão do presidente”, disse o deputado após participar de uma corrida em comemoração aos 200 anos da Câmara.
Pressão após vazamento de áudios
O debate sobre a CPI ganhou força depois que áudios tornados públicos revelaram o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrando do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, recursos para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As gravações mencionam um suposto contrato de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões teriam sido repassados. Flávio negou inicialmente a cobrança, mas depois admitiu ter feito a solicitação.
Regras para instalação
O Regimento Interno da Câmara exige três condições para instaurar uma CPI: apoio mínimo de um terço dos 513 deputados (171 assinaturas), indicação de fato determinado e definição de prazo certo de funcionamento. A CPI dispõe de poderes de investigação semelhantes aos de autoridades judiciais, podendo convocar testemunhas, requisitar documentos e aprovar quebras de sigilo. O período inicial é de 120 dias, prorrogável mediante deliberação do Plenário.
O regimento ainda limita a cinco o número de CPIs simultâneas, salvo exceção aprovada pelo mesmo quórum. Decisão consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF) afirma que, cumpridos os requisitos formais, a instalação da comissão não depende da vontade política do presidente da Câmara ou do Senado.
Situação no Senado
No Senado, contudo, pedidos de CPI sobre o Banco Master têm sido ignorados pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). Um aliado do senador no Amapá é investigado por aplicar R$ 400 milhões da previdência estadual (Amprev) no banco.
Diante das denúncias de possíveis ligações da instituição financeira com autoridades dos Três Poderes, parlamentares favoráveis à investigação alegam “relevância pública, econômica e social” para justificar a abertura da comissão.
Com informações de Gazeta do Povo