Évian (França) – O governo brasileiro decidiu não apoiar a maior parte dos documentos apresentados na cúpula do G7, realizada em Évian, alegando que os textos foram elaborados para evitar atritos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo fontes próximas às negociações ouvidas pela emissora pública francesa RFI, de oito declarações em discussão, o Brasil deve concordar com apenas três. A delegação brasileira considera que temas prioritários para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como mudanças climáticas, reforma de instituições multilaterais e fortalecimento do papel da ONU em crises globais, foram deixados de fora para agradar Washington.
Convidado pela França, o Brasil não integra o grupo das sete maiores economias (Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Canadá) e, portanto, pode optar por endossar ou não os documentos finais. Até agora, Paris divulgou seis textos: geopolítica, renovação de parcerias internacionais, combate ao câncer, ebola, tráfico de drogas e migração. Brasília apoiou somente os relacionados ao câncer e ao combate ao tráfico de drogas.
Integrantes da delegação brasileira afirmaram à Folha de S.Paulo que a presidência francesa temia uma repetição do impasse de 2025, quando Trump deixou a cúpula antes do encerramento, e por isso evitou referências a pontos sensíveis para a Casa Branca, como políticas climáticas e menções à Organização Mundial da Saúde (OMS) no texto sobre o ebola.
O encontro de Evian prossegue até quarta-feira (17), com a participação de líderes e representantes de países convidados.
Com informações de Gazeta do Povo