O senador Marcio Bittar (PL-AC) afirmou nesta quarta-feira (29), durante a sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que o clima político impede a Casa de avaliar indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF). “Venho dizendo desde o ano passado que sou contra o Senado sabatinar qualquer pessoa neste momento. O ambiente está contaminado”, declarou.
Bittar mencionou “denúncias gravíssimas” envolvendo ministros do STF que, segundo ele, não foram investigadas pelo Congresso. “Este Senado tinha a obrigação constitucional e o dever de investigar, mas não o fez”, criticou. Para o parlamentar, a omissão retira a legitimidade da Casa para aprovar novos integrantes da Corte a poucos meses das eleições.
“Que legitimidade tem esta Casa para aprovar, às vésperas de uma eleição, novos membros para o Supremo? Atualmente falta uma cadeira no STF. Alguém está sentindo falta? Não”, ironizou. Na avaliação do senador, o ideal seria aguardar o resultado das urnas. “Que o novo presidente eleito possa indicar quem desejar e que o novo Senado aprove ou não. Fora isso, continuaremos fazendo mais do mesmo”, completou.
Confronto sobre aborto e 8 de janeiro
Durante o questionamento a Messias, Bittar duvidou da sinceridade do indicado ao afirmar ser contrário ao aborto. “Não passa pela minha cabeça que alguém candidato a esse cargo vá sentar nessa cadeira e dizer que é a favor do aborto, porque sabe que perderia a votação”, afirmou.
O senador também discordou das declarações de Messias sobre a atuação do Judiciário em relação aos ataques de 8 de janeiro de 2023. “Não me parece plausível que alguém nesta posição diga que é normal a interferência do Poder Judiciário sobre o Congresso Nacional. Ninguém sentará aqui para dizer que as penas aplicadas a várias pessoas sejam justas”, disse.
A sabatina prossegue na CCJ, que deverá decidir se o nome de Jorge Messias segue para votação no plenário do Senado.
Com informações de Gazeta do Povo