Guarujá (SP) – O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso saiu em defesa da Corte neste sábado, 23 de maio de 2026, diante das investigações que apontam supostas ligações de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master.
Durante coletiva de imprensa em um evento com empresários no litoral paulista, Barroso reconheceu o desgaste na imagem do tribunal, mas afirmou não ter conhecimento de qualquer decisão do STF que tenha beneficiado a instituição financeira investigada.
“Tem alguma decisão do Supremo favorecendo o Banco Master? Não que eu saiba”, declarou. Para o ministro, é preciso diferenciar eventuais questionamentos sobre condutas individuais do funcionamento institucional da Corte. “Primeiro é preciso não prejulgar e esperar que as investigações terminem”, acrescentou.
Suspeitas recaem sobre Moraes e Toffoli
As apurações miram principalmente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. A esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci, teria firmado contrato de R$ 129 milhões para representar o Banco Master. Já Toffoli admitiu ter sido sócio dos irmãos em um resort no interior do Paraná que negociou cotas com um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro do esquema.
Entre os pontos sob investigação estão também a suspensão, pelo STF, de pedidos de informações e de depoimentos aprovados pela CPMI do INSS e pela CPI do Crime Organizado, que abrangiam parte das transações do banco.
Pressão popular e defesa da instituição
Desde que as suspeitas vieram à tona, a Suprema Corte passou a enfrentar forte pressão de grupos da sociedade. Barroso admitiu a “percepção negativa” que se instalou, mas defendeu que o tribunal segue atuando com “transparência, fundamentação técnica e debates públicos” em temas de interesse nacional.
O ex-presidente do STF destacou ainda que o protagonismo da Corte em decisões políticas amplia a cobrança sobre seus integrantes, mas reiterou que episódios pontuais não podem contaminar a avaliação sobre o trabalho do Judiciário.
Com informações de Gazeta do Povo