A Polícia Federal (PF) divulgou detalhes sobre a recuperação de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O iPhone 17 Pro de Vorcaro foi apreendido em novembro do ano passado, durante sua primeira prisão.
O relatório pericial foi apresentado na última terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça. Os investigadores descobriram que Vorcaro utilizava uma técnica de “dupla blindagem” para dificultar a recuperação das mensagens. Ele redigia os textos no aplicativo “Notas”, tirava uma captura de tela e enviava a imagem via WhatsApp com a opção de visualização única. Além disso, o contato utilizado para a comunicação estava configurado para deletar mensagens após 24 horas.
Apesar dessas medidas, a PF encontrou vestígios no iPhone. Através do software israelense Cellebrite Reader, os peritos descobriram que o sistema iOS gera automaticamente um arquivo PDF quando uma captura de tela é realizada no aplicativo “Notas”. Esse documento contém o conteúdo exibido e um carimbo de data e hora, que pode permanecer temporariamente na memória do aparelho.
A PF organizou os arquivos obtidos com o uso do Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED), um software forense desenvolvido pela própria corporação. Graças a essa tecnologia, foi possível recuperar o conteúdo integral das notas de Vorcaro.
Para estabelecer a conexão entre as mensagens e Moraes, os peritos analisaram registros de atividade do aparelho. Isso incluiu a verificação dos “Logs”, que registram eventos do sistema operacional, e os dados de uso de aplicativos, que mostram os períodos em que os aplicativos foram abertos e fechados, além das capturas de tela realizadas.
A análise dos dados revelou um padrão temporal nas comunicações: Vorcaro abria o aplicativo “Notas”, editava o texto, fazia a captura de tela, gerava o PDF e, logo em seguida, abria o WhatsApp para enviar a mensagem. Os registros indicaram a transmissão de um pacote de dados para o número salvo em seu aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O envio da mensagem ocorria em um intervalo médio de 11 a 35 segundos após a redação.
Ao todo, a PF identificou 52 notas que seguiram esse mesmo padrão. O relatório da PF destaca que essa sequência de ações estabelece uma correlação clara entre a geração da imagem e seu envio para um destinatário específico.
Fonte: Gazeta Do Povo.









