O professor de Direito Constitucional e escritor William Douglas publicou nesta quarta-feira (13), às 11h, um artigo em que apresenta o que classifica como “o bonito e o feio do 13 de Maio”. No texto, veiculado pelo site Pleno.News, o autor exalta a importância da Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888 pela princesa Isabel, e critica setores do movimento negro que, segundo ele, minimizam o papel da norma e de sua autora.
Defesa da Lei Áurea
Para Douglas, a abolição da escravidão representou um avanço “corajoso, útil e civilizatório”, apesar de ter ocorrido “tarde e de modo incompleto”, sem políticas públicas de inclusão, acesso à terra ou educação para a população negra. O articulista lembra que a princesa Isabel enfrentou resistência política e que historiadores apontam a assinatura da lei como fator que contribuiu para o desgaste da monarquia entre proprietários escravistas.
O autor também cita registros históricos que atribuem a Dom Pedro II uma postura favorável, ainda que gradual, ao fim do regime escravista, e destaca a homenagem recebida por Isabel do papa Leão XIII – razão pela qual a princesa ficou conhecida como “A Redentora”.
Crítica à “tentativa de apagamento”
No texto, William Douglas reprova a preferência de parte de ativistas pelo 20 de novembro – Dia da Consciência Negra, em memória a Zumbi dos Palmares – como data principal de celebração, em detrimento do 13 de maio. Para o autor, é possível reconhecer ambas as efemérides sem transformar o debate em “disputa ideológica”.
Ele ressalta que, assim como há controvérsias sobre a figura de Isabel, registros históricos indicam que Zumbi manteve escravos em Palmares. O professor também menciona Ganga Zumba, líder quilombola anterior a Zumbi, como personagem essencial muitas vezes esquecido.
Complexidade histórica
Douglas argumenta que o Brasil precisa “amadurecer” na forma de lidar com o passado, evitando julgamentos anacrônicos e simplificações. Segundo ele, reconhecer contradições de personalidades históricas – tanto ligadas à monarquia quanto à resistência negra – é fundamental para combater o “negacionismo da História”.
No encerramento, o autor defende que o país celebre simultaneamente Isabel, Zumbi e Ganga Zumba, valorizando avanços e reconhecendo falhas no processo que levou ao fim da escravidão.
Com informações de Pleno.News