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Prisões de cristãos avançam 83% no Irã e alcançam 254 casos em 2025, aponta relatório

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As autoridades iranianas detiveram 254 cristãos em 2025 por motivos ligados à fé ou a atividades religiosas, número 83% superior aos 139 registros de 2024. Os dados constam do relatório anual “Bodes expiatórios: violações dos direitos dos cristãos no Irã”, publicado nesta segunda-feira (19 de fevereiro) por Article18, Portas Abertas, Christian Solidarity Worldwide e Middle East Concern.

Em quase 90% dos casos, os acusados foram enquadrados no Artigo 500 do Código Penal, dispositivo que proíbe “propaganda contra a sagrada religião do Islã”.

Penas mais longas e novos enquadramentos

No ano passado, 57 cristãos já cumpriram prisão, exílio ou trabalho forçado, mais que o dobro dos 25 verificados em 2024. Ao fim de 2025, 43 pessoas continuavam atrás das grades e pelo menos 16 aguardavam julgamento em prisão preventiva.

Embora o total de condenados tenha caído de 96 (2024) para 73 (2025), a soma das penas subiu de 263 para 280 anos, sugerindo decisões mais severas. Onze réus receberam sentenças iguais ou superiores a dez anos; o conjunto das punições incluiu ainda nove anos de exílio e 249 anos de restrições a serviços como saúde, trabalho e educação.

Depois da guerra de 12 dias entre Irã e Israel, ocorrida de 13 a 25 de junho, cinco cristãos foram denunciados com base em uma nova lei de espionagem. Somadas, as condenações ultrapassam 40 anos de prisão. Em comunicado, o Ministério da Inteligência afirmou ter “neutralizado” 53 “elementos treinados”, referência a evangélicos.

Confisco de bens e clínicas de “recondução”

O documento registra ao menos duas ordens de confisco de Bíblias e literatura cristã para “pesquisa” do serviço de inteligência. Um oficial do Exército perdeu o emprego após 23 anos de serviço devido à conversão, e cinco convertidos foram enviados, por decisão judicial, a clínicas de tratamento de seitas com o objetivo de retornarem ao Islã.

Maus-tratos e casos emblemáticos

Relatos de negação de atendimento médico, tortura psicológica e espancamentos persistiram em 2025. Entre os episódios citados está a sentença de 16 anos imposta, no Dia Internacional da Mulher, a uma cristã grávida. Um iraniano-armênio recebeu a segunda pena de dez anos e foi impedido de comparecer ao funeral da mãe; um co-réu sofreu derrame em confinamento solitário; outra presa fraturou a coluna ao cair de um beliche e voltou à cela antes da recuperação, contraindo infecção.

Distribuição de Bíblias na mira

Pelo menos 21 pessoas foram punidas por suposta participação na distribuição de Bíblias. As organizações signatárias defendem a reabertura da Sociedade Bíblica, fechada provisoriamente em 1990, o que dispensaria a entrada de exemplares vindos do exterior.

Ambiente hostil e pedidos internacionais

O relatório menciona a continuidade de discurso de ódio: em agosto, a mídia estatal exibiu vídeo com imagens de detidos, materiais apreendidos e registros de suposto contrabando de Escrituras. Também aponta maior envolvimento da Guarda Revolucionária nas prisões e no monitoramento de cristãos no exterior.

Entre as recomendações estão a libertação incondicional dos presos por motivos religiosos, a reabertura de templos fechados à força e a garantia de locais onde falantes de persa possam praticar livremente sua fé. O texto faz referência aos protestos que eclodiram no fim de 2025, classificando a resposta estatal como “horrível”, com milhares de mortos, incluindo cristãos.

Na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas, o Irã ocupa a décima posição entre os 50 países onde a vida cristã enfrenta mais obstáculos.

Com informações de Folha Gospel