O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) ingressou com ação civil pública para reaver R$ 179.424,11 que teriam sido desviados do Pronto-Socorro (PS) de Pelotas entre janeiro de 2022 e março de 2023. A medida tem como alvos a Igreja do Evangelho Quadrangular Jardim Europa e o ex-diretor administrativo e financeiro do PS, Misael Aguiar da Cunha.
De acordo com a petição, a igreja teria sido beneficiada de forma irregular, enquanto Cunha é cobrado pela devolução de R$ 165.350,38 que ele próprio confessou ter desviado. Somadas, as quantias representam um prejuízo público de R$ 344.744,49.
Como ocorreram os desvios
A investigação aponta que Cunha, filho da pastora responsável pela congregação, utilizou contratos com três empresas para destinar recursos do hospital à igreja e a interesses pessoais:
- Construção civil: pagamento de R$ 126.128,28 por serviços de reforma na sede da igreja, como demolição de laje e reforma de fachada. Outros R$ 16.066,66 foram enviados à mesma empresa e, em seguida, pedidos de volta para a conta pessoal do ex-diretor.
- Esquadrias: repasse de R$ 40.086,30 para portas e janelas destinadas à igreja, sem qualquer serviço ao PS. Por meio dessa empresa, Cunha ainda direcionou R$ 42.553,50 para sua conta particular.
- Marcenaria: fornecimento de móveis planejados que totalizaram R$ 13.209,53 para a igreja e R$ 36.847,22 para os apartamentos de Cunha e dos pais dele. Apesar de ter prestado alguns serviços ao hospital, a empresa foi usada para desviar R$ 69.883,00.
Desdobramentos da Operação Contágio
As suspeitas surgiram no início de 2024, durante a Operação Contágio. Em outubro de 2025, balanço parcial indicou que pelo menos R$ 1,4 milhão haviam sido subtraídos do PS sob a gestão de Cunha.
O ex-diretor já havia sido denunciado em agosto de 2024 pelo desvio de R$ 258,3 mil e chegou a cumprir prisão preventiva entre fevereiro e maio de 2025. Ele responde aos processos em liberdade.
Posicionamentos
A defesa de Misael Aguiar da Cunha afirma não ter sido intimada e aguarda acesso à ação para se manifestar. A reportagem também tentou contato com representantes da Igreja do Evangelho Quadrangular, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
Com informações de Folha Gospel