O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou a agenda de visitas a igrejas evangélicas em todo o país depois de perder o apoio do bispo Samuel Ferreira, líder do Ministério de Madureira, que anunciou adesão à pré-candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), para 2026.
Articulação em curso
Segundo o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), pastor licenciado da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e líder do PL na Câmara, a equipe de Flávio estruturou um cronograma baseado no censo do IBGE de 2010, que lista as maiores denominações evangélicas do país. “Vamos sentar com cada um desses líderes denominacionais”, afirmou.
Entre os próximos compromissos estão encontros com a Igreja do Evangelho Quadrangular (terceira maior denominação), representantes da Igreja Batista e um evento nacional da Congregação Cristã, a segunda maior igreja pentecostal, conhecida por não ter liderança centralizada. No dia 3 de maio, Flávio deve participar de reunião da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ligada a Sóstenes e ao pastor Silas Malafaia.
Tensões internas
Apesar da ofensiva, parlamentares ligados ao segmento reclamam da falta de diálogo com o senador. Um integrante da bancada evangélica, em reserva, citou “arrogância” da campanha por supor apoio automático. O episódio mais recente ocorreu em 6 de abril, na Assembleia de Deus Ministério do Belém, quando o deputado Marco Feliciano (PL-SP) cobrou em público o não cumprimento de acordo firmado em 2022 que previa sua candidatura ao Senado por São Paulo.
Disputa por espaço
Para Malafaia, a maioria das denominações continuará com Flávio Bolsonaro. Ele minimizou o endosso de Samuel Ferreira a Caiado, atribuindo-o a diferenças de estratégia dentro da direita. Nos bastidores, especula-se que o Ministério de Madureira busca indicar um nome ao Senado por São Paulo ou garantir posição de vice na chapa que sucederá Caiado em Goiás.
Mesmo após o racha, Sóstenes Cavalcante garante que Flávio comparecerá a eventos do Ministério de Madureira: “Te garanto que Flávio estará lá”, disse, reforçando a intenção de reunificar o apoio evangélico à pré-candidatura do senador.
Com informações de Folha Gospel