A psicóloga e articulista Marisa Lobo publicou nesta quinta-feira (12.mar.2026) um artigo em que contesta a eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
No texto, Lobo afirma ser “contrária à ocupação na Presidência da Comissão da Mulher por uma pessoa que não nasceu biologicamente mulher”. Segundo a autora, as políticas públicas direcionadas às mulheres foram criadas a partir de vulnerabilidades “profundamente ligadas à biologia feminina” e, por isso, deveriam ser conduzidas por quem compartilha dessas experiências desde o nascimento.
Argumentos apresentados
A articulista lista fatores que, em sua visão, justificam a necessidade de representação baseada no sexo biológico:
- gravidez e gestação, que historicamente levaram à exclusão do mercado de trabalho;
- maternidade e amamentação, que exigem proteção legal;
- saúde reprodutiva, com acesso a cuidados ginecológicos e obstétricos;
- maior vulnerabilidade física média à violência masculina;
- violência sexual direcionada ao corpo feminino;
- discriminação laboral relacionada à possibilidade de engravidar.
Lobo sustenta que essas condições originaram medidas como licença-maternidade, delegacias especializadas, abrigos para vítimas de violência doméstica e leis de enfrentamento à violência de gênero. Para a psicóloga, “ignorar a realidade biológica pode enfraquecer as bases desses direitos”.
Ao longo do artigo, a autora enfatiza que seu posicionamento “não nega dignidade ou direitos a pessoas trans”, mas reforça a necessidade de preservar a “realidade concreta” que teria motivado a criação das políticas de proteção às mulheres.
Erika Hilton, primeira mulher trans a comandar a comissão, ainda não se manifestou sobre as críticas publicadas por Marisa Lobo.
Com informações de Pleno.News