A NASA iniciou uma operação inédita para salvar o telescópio espacial Swift, lançado em 2004 e prestes a reentrar na atmosfera terrestre até o fim deste ano. A agência conta com a nave robótica LINK, construída pela empresa norte-americana Katalyst, para capturar o observatório e elevar sua órbita.
Corrida contra o tempo
A LINK foi lançada em 3 de julho, das Ilhas Marshall, a bordo de um foguete Pegasus XL. Equipado com três braços robóticos, o veículo está em fase de testes de sistemas antes de se aproximar do Swift, etapa que pode levar semanas.
“Como a órbita do Swift está caindo rapidamente, estamos em uma corrida contra o tempo”, afirmou Shawn Domagal-Goldman, diretor interino da Divisão de Astrofísica da NASA. Segundo ele, recuperar o satélite “é mais econômico do que substituir suas capacidades por uma nova missão”.
Captura delicada
O Swift não foi projetado para ser resgatado: não possui alças nem pontos de ancoragem. A aproximação, a avaliação de onde agarrá-lo e a captura devem se estender por cerca de um mês. Depois, a LINK empurrará lentamente o telescópio para uma órbita mais alta, manobra que pode durar vários meses.
Concluída a elevação, a nave soltará o satélite e a NASA reacenderá seus instrumentos. A retomada total das operações científicas deve exigir “um mês ou mais”, de acordo com a agência.
Iniciativa pioneira
Caso seja bem-sucedida, será a primeira vez que um robô de uma empresa privada captura e repara um satélite do governo dos Estados Unidos que não foi concebido para manutenção em órbita. A Katalyst recebeu a incumbência em 2025 e teve apenas um ano para projetar, testar e lançar a missão.
A operação, avaliada como um teste de serviços futuros de reparo espacial, também pode influenciar discussões sobre a manutenção de outros observatórios, como o veterano telescópio Hubble, que sofre degradação lenta de altitude, mas ainda não tem plano de elevação definido pela NASA.
Telescópio de US$ 500 milhões
Responsável por detectar surtos de raios gama — as explosões mais energéticas do universo —, o Swift está avaliado em cerca de US$ 500 milhões. Sem motor próprio, o satélite perde altitude gradualmente devido à resistência residual da atmosfera, risco que a missão da LINK tenta neutralizar.
Se a manobra falhar, o observatório pode se desintegrar na reentrada descontrolada prevista para o fim de 2026, encerrando mais de duas décadas de pesquisas astrofísicas.
Com informações de Gazeta do Povo