O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à Suprema Corte brasileira, afirmando que carrega nas costas “a promiscuidade” da instituição. A declaração foi dada durante uma reunião de campanha nesta segunda-feira (5), logo após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, onde ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
Lula destacou que há apenas um candidato antissistema na disputa, referindo-se à sua candidatura, e enfatizou a gravidade das denúncias envolvendo o STF. “Estamos carregando uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”, declarou.
Além da liderança de Flávio Bolsonaro, o PL conquistou 19 cadeiras no Senado e 121 na Câmara dos Deputados. Entre as principais pautas da direita no Senado está a proposta de impeachment de ministros do STF. Em resposta, Lula voltou a defender a necessidade de uma reforma no Judiciário.
“Precisamos definir qual é o papel da sociedade nessa reforma e como vamos escolher um ministro do STF. É de interesse pessoal do presidente da República? É pela pressão do Congresso Nacional? É de interesse do poder econômico? Não”, questionou.
No exercício de seu terceiro mandato, Lula já indicou ao STF Cristiano Zanin, seu advogado na Lava Jato, e Flávio Dino, seu ministro da Justiça. Contudo, sua indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União, foi rejeitada pelo Senado. O presidente ressaltou a importância de discutir com a sociedade os critérios de indicação para os ministros do Supremo.
Durante a reunião, Lula também afirmou que, nos próximos 20 dias, será crucial “desnudar o que está por trás da eleição de um possível herdeiro do fascismo neste país”. Ele se mostrou confiante em conquistar a vitória no segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro, e assegurou que participará dos debates.
“Estou convencido de que não há razão para que não sejamos eleitos presidentes da República no segundo turno. Não há razões econômicas, sociais ou políticas, inclusive em questões polêmicas, como a segurança”, destacou.
A crise interna no STF se intensificou após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal, revelando mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A situação gerou uma série de desentendimentos entre os ministros, culminando em uma sessão tumultuada que não chegou a uma definição sobre a abertura de investigação contra Moraes.
Antes do primeiro turno, a campanha de Lula tentou se distanciar da crise no Supremo, defendendo que todos os ministros envolvidos deveriam ser investigados.
Fonte: Gazeta Do Povo.









