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Lula e Alcolumbre se reencontram no Amapá após reaproximação e anúncio da Petrobras

lula com davi alcolumbre foto jose cruz agencia brasil 1
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Na última segunda-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou para o Amapá acompanhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Essa viagem ocorre pouco tempo após a reestabelecimento de sua relação política, que havia se deteriorado no ano anterior. O motivo da visita é a recente descoberta de petróleo e gás na área conhecida como Margem Equatorial, anunciada pela Petrobras.

Lula sairá de Brasília rumo a Oiapoque, onde irá inspecionar o navio-sonda da Petrobras que está realizando a perfuração no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A visita contará também com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do governador Clécio Luís (União-AP), que está em busca da reeleição.

A reaproximação entre Lula e Alcolumbre foi iniciada na semana anterior, após um período de quase quatro meses de tensão política. Um dos acordos firmados inclui o apoio explícito de Lula à candidatura de Clécio e a tentativa de Alcolumbre de se reeleger como presidente do Senado.

A descoberta de petróleo na Margem Equatorial, anunciada pela Petrobras na sexta-feira (14), foi celebrada por Alcolumbre, que a definiu como “um dia histórico para o Amapá e para o Brasil”. A exploração de gás e petróleo nessa região recebeu forte apoio de Lula, mas também gerou controvérsias com aliados ambientalistas.

O governo e setores do PT já estão discutindo possíveis mudanças nas regras de exploração das reservas da Margem Equatorial, uma área que vai da fronteira com a Guiana Francesa até o litoral do Rio Grande do Norte, vista como uma nova oportunidade para a exploração de petróleo.

Entretanto, a perfuração do poço foi precedida por um dos processos de licenciamento ambiental mais conturbados do Brasil. O Ibama chegou a sugerir o arquivamento do processo antes de finalmente conceder a licença em outubro de 2025, após pressões de Lula e de políticos locais, incluindo Alcolumbre.

A licença foi emitida pouco antes da COP 30, realizada em Belém, e atraiu críticas de organizações que participaram do evento. Ambientalistas argumentam que a abertura de novas áreas para a produção de petróleo vai contra os avisos de cientistas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis para enfrentar as mudanças climáticas.

Por outro lado, o governo defende que o Brasil não pode abrir mão da exploração de suas riquezas naturais. Dois meses após permitir a perfuração, durante a COP 30, Lula chegou a defender a implementação de medidas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis, mas a proposta não avançou.

O potencial de petróleo do poço na bacia da Foz do Amazonas é estimado entre 5,7 bilhões e 10 bilhões de barris de óleo equivalente, com possibilidades de projeções ainda mais otimistas. Essa região é considerada uma nova fronteira estratégica que pode aumentar as reservas do Brasil e compensar o esgotamento futuro do pré-sal.

O local da perfuração está a 175 quilômetros da costa do Amapá e a quase 3 mil metros de profundidade.