Uma varredura nas câmeras de segurança da sala-cofre do Senado está sendo realizada com o intuito de rastrear eventuais vazamentos relacionados ao caso Master. Este espaço guardava os dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujas provas foram enviadas à CPMI do INSS no início do ano.
Fontes envolvidas nas investigações revelam que a principal meta é identificar todos os acessos ao local durante o período em que os documentos do caso Master estavam disponíveis para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. A busca por um suposto vazamento foi ordenada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, após indícios de divulgação intencional, incluindo conversas pessoais de Vorcaro com sua ex-namorada.
Além disso, os investigadores também estão tentando descobrir outros possíveis vazamentos que possam surgir nas semanas seguintes, que poderiam dar origem a dossiês que seriam divulgados de forma irregular durante as campanhas eleitorais, envolvendo potenciais alvos políticos mencionados em conversas, imagens ou transações financeiras com Vorcaro.
A Polícia Federal alerta que o acesso e a divulgação não autorizada de provas podem levar a nulidades processuais no Caso Master, que já passou por dez fases da operação Compliance Zero desde novembro do ano passado. Daniel Vorcaro, identificado como o principal responsável pelo esquema e proprietário do Master, foi preso duas vezes: a primeira em novembro, sendo solto dias depois, e a segunda em março, permanecendo detido preventivamente.
Os primeiros vazamentos ocorreram no final do ano passado, antes do compartilhamento das provas com a CPMI. A investigação também busca determinar se houve uma rede, mesmo que não interconectada, que gerou divulgações seletivas sobre a investigação. Desde que a questão da divulgação indevida se tornou um entrave processual, a vigilância sobre os investigadores e peritos aumentou consideravelmente.
Para restringir o acesso às informações, a investigação se desdobra em duas frentes. A primeira investiga se algum parlamentar ou funcionário com acesso autorizado à sala-cofre, durante o período em que os documentos estavam disponíveis, teria vazado informações sigilosas para a imprensa ou outros destinatários não autorizados. A segunda linha de apuração examina se documentos ou partes do material confidencial foram registrados, fotografados ou copiados dentro da sala-cofre para a elaboração de futuros dossiês, incluindo possíveis utilizações em contextos eleitorais.
Os investigadores enfatizam que é crucial identificar quem entrou e saiu do recinto, em quais datas e por quanto tempo, pois o simples fato de acesso ao material não configura, por si só, um vazamento, mas pode ajudar a limitar o número de pessoas que teve contato direto com os dados durante o período em que o conteúdo pode ter sido copiado.
A Polícia Federal, em cumprimento à ordem de Mendonça, esteve nas dependências do Senado para retirar o conteúdo completo da nuvem do celular de Vorcaro e solicitou aos servidores do Senado cópias do livro de acessos e das gravações das câmeras de segurança da sala.
O Senado informou à PF que a sala-cofre, onde estavam armazenados os dados de Vorcaro, estava trancada e sob a vigilância de um policial legislativo, responsável pelo controle de acesso ao local, que possui um sistema interno de câmeras de monitoramento.
De acordo com um relatório da PF enviado ao ministro André Mendonça, uma análise técnica comparou diálogos entre Vorcaro e sua ex-namorada que circularam na mídia com o conteúdo integral extraído do celular do ex-banqueiro, obtido pela CPMI através de uma das empresas de tecnologia responsáveis pela análise do aparelho. A conclusão foi de que os vazamentos foram originados no material filtrado e disponibilizado à comissão, sem evidências de que o conteúdo tenha circulado anteriormente ou sido obtido por “fontes independentes”.
Apesar dessa constatação, a PF ainda não conseguiu identificar quem especificamente repassou as informações, dado que diversos parlamentares, assessores e servidores da Câmara e do Senado tiveram acesso ao material durante os trabalhos da comissão, aumentando o número de potenciais responsáveis pelo suposto vazamento.
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (PSD-MG), reiterou que a comissão encerrou suas atividades em março, sempre dentro dos limites legais e regimentais. Ele destacou que todo o material esteve sob custódia, com acesso controlado e devidamente registrado. Viana também ressaltou que os dados analisados pela CPMI foram, em algum momento, acessados pela própria Polícia Federal e pela Presidência do Senado, e que a comissão recebeu apenas uma parte desse conjunto de informações.
Para o senador, a coincidência entre arquivos que contenham informações idênticas não é suficiente para determinar a origem exata do vazamento, uma conclusão que deve ser estabelecida pela investigação. Nas redes sociais, Viana contestou a hipótese levantada pela PF, apresentando uma cronologia que sustenta sua posição: as primeiras mensagens íntimas de Vorcaro foram publicadas pela imprensa em 6 de março, enquanto os dados telemáticos chegaram oficialmente à CPMI apenas em 12 de março, com o acesso à sala-cofre liberado aos parlamentares em 13 de março.
Essa sequência de eventos, segundo o senador, contradiz a ideia de que o vazamento partiu do ambiente controlado pela comissão, uma vez que o conteúdo teria circulado antes mesmo da sala-cofre estar disponível para os parlamentares. Viana também detalhou as medidas de segurança adotadas, como a proibição de celulares e outros dispositivos eletrônicos, uso de detector de metais e um livro de registro de acessos com data, hora e motivo.
Ele afirmou ter implementado essas regras para garantir a rastreabilidade do material manuseado pela comissão. O senador defendeu publicamente que toda a cadeia de custódia dos documentos seja auditada, incluindo os registros de acesso e as imagens das câmeras, desde o primeiro até o último ponto de manuseio do material, tanto dentro quanto fora do Congresso. Viana também criticou a abordagem de tratar integrantes da CPMI como suspeitos no contexto da apuração sobre o vazamento, argumentando que as mensagens já circulavam antes do contato da comissão com o material.










