O governo da Venezuela suspendeu por 48 horas o transporte oficial de jornalistas até La Guaira, região mais atingida pelos terremotos de 24 de junho, que já causaram 1.719 mortes e deixaram mais de 5.000 feridos. A medida foi comunicada nesta segunda-feira (29) à agência EFE por uma fonte ligada ao Ministério da Comunicação.
De acordo com o informante, a restrição atende a recomendações sanitárias e ao entendimento de que o período é decisivo para localizar possíveis sobreviventes sob os escombros. O regime havia iniciado no sábado (27) um esquema controlado de acesso, oferecendo 90 vagas diárias em ônibus para profissionais da imprensa.
Ainda segundo a mesma fonte, repórteres podem tentar chegar por conta própria, embora bloqueios militares possam dificultar a passagem. Relatos indicam que alguns veículos de comunicação conseguiram manter equipes na zona de desastre.
A decisão ocorre após moradores e jornalistas denunciarem abandono e demora nas operações de resgate. Um vídeo da emissora alemã DW mostra habitantes de La Guaira cobrando a atuação de soldados da Força Armada Nacional Bolivariana, que teriam permanecido armados, mas sem participar das buscas. Depois da cobrança, militares passaram a ajudar na retirada de destroços, informou a agência France-Presse.
Além da lentidão no socorro, a população local reclama de saques a estabelecimentos comerciais. Voluntários venezuelanos e equipes internacionais estariam conduzindo grande parte das ações de salvamento.
O Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela criticou a suspensão. Em publicação na rede social X, a entidade afirmou que barrar a cobertura não soluciona a crise e que o país necessita de informação verificada e em tempo real, sobretudo para as famílias das vítimas.
Com informações de Gazeta do Povo