A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) confirmou, no fim de semana, a demissão de 70 colaboradores lotados na Faixa de Gaza. A decisão foi assinada pelo comissário-geral interino da entidade, Christian Saunders, depois que uma investigação apontou conexões diretas entre os empregados e o grupo Hamas.
Investigação dos EUA impulsionou cortes
O desligamento ocorreu após relatório do Escritório do Inspetor-Geral da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), que listou mais de 100 nomes suspeitos de participação em ações terroristas e na estrutura militar do Hamas. Sob crescente pressão de Washington, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, chegou a declarar publicamente que a UNRWA se comporta como “subsidiária do Hamas”.
Críticas sobre alcance limitado
A organização não governamental UN Watch, dedicada a fiscalizar atividades da ONU, elogiou a medida, mas a classificou como insuficiente. De acordo com o diretor-executivo Hillel Neuer, investigações da entidade indicam a presença de aproximadamente 1.500 integrantes ou simpatizantes do Hamas entre os 12,5 mil empregados da agência em Gaza. Neuer disse que a dispensa de 70 pessoas é “uma gota no oceano”.
Sindicato local e reação israelense
O Sindicato dos Funcionários da UNRWA na região, historicamente ligado a operacionais do Hamas, repudiou os desligamentos, qualificando-os como “arbitrários” e prometendo buscar a reintegração dos demitidos.
Já o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que relatórios de inteligência das Forças de Defesa de Israel (FDI) mostram 1.462 funcionários da UNRWA — cerca de 12% do quadro local — com vínculos formais com o Hamas ou outras organizações jihadistas. Para o governo israelense, ao “abrigar terroristas” e permitir o uso de suas instalações como bases, a UNRWA teria se tornado “um braço operacional” do grupo.
Posicionamento da agência
A UNRWA declarou não dispor de estrutura policial ou de inteligência própria e sustentou que manter diálogo com o Hamas é “necessário” para garantir a distribuição de ajuda humanitária em zonas de conflito. A direção acrescentou que as demissões são medidas de segurança preventiva e não configuram admissão de culpa.
As dispensas ocorrem em um momento de escrutínio internacional sobre a atuação da agência na Faixa de Gaza e podem pressionar por novas revisões em seu quadro funcional.
Com informações de Gazeta do Povo