O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar nesta quinta-feira (2) o volume de recursos destinado por Washington à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que o país desembolsou US$ 999 bilhões (aproximadamente R$ 5,2 trilhões) entre 2014 e 2025 para sustentar a aliança, valor que, segundo ele, supera amplamente o de todos os demais membros.
Comparação de valores
Na mesma mensagem, o presidente listou os gastos de alguns parceiros no mesmo período:
• Reino Unido: US$ 90,5 bilhões (R$ 472 bilhões)
• França: US$ 66,5 bilhões (R$ 347 bilhões)
• Itália: US$ 48,8 bilhões (R$ 254 bilhões)
• Polônia: US$ 44,3 bilhões (R$ 231 bilhões)
Trump classificou a diferença como “ridícula” e acrescentou que outros aliados, incluindo a Alemanha, investiram quantias ainda menores.
Cúpula em Ancara
As declarações ocorrem às vésperas da cúpula da Otan marcada para 7 e 8 de julho em Ancara, Turquia. O encontro deve tratar do aumento dos orçamentos militares europeus e do papel norte-americano na defesa do continente.
Rutte apresenta números
Na semana passada, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, reuniu-se com Trump em Washington para preparar a reunião. Rutte agradeceu a “liderança” do presidente e mostrou gráficos indicando mais de US$ 1 trilhão em gastos adicionais de europeus e canadenses desde 2016. Segundo o holandês, esses países planejam elevar os investimentos em defesa em quase 20% em 2025, na comparação com 2024.
Tensão com a Espanha
A pressão de Washington tem gerado atritos internos. De acordo com a agência Europa Press, o embaixador dos EUA na Otan, Matt Whitaker, disse que Trump se mostra “decepcionado” com a Espanha por dois motivos: a restrição ao uso das bases de Morón e Rota durante a guerra no Irã e a recusa de Madri em elevar os gastos de defesa para 5% do PIB.
Whitaker lembrou que, na cúpula de Haia, no ano passado, os 32 integrantes da Otan prometeram, por unanimidade, aumentar o orçamento militar e apresentar um plano crível para alcançar a meta de 5% do PIB.
Resposta alemã
Em entrevista à revista Der Spiegel, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, rebateu a cobrança norte-americana. “A Otan não se resume a obediência cega aos Estados Unidos”, declarou, acrescentando que as decisões na aliança são tomadas por consenso livre, “sem imposição de um único governo”.
Trump ainda defende que nações que investem mais em sua própria defesa recebam vantagens como maior acesso a autoridades norte-americanas e prioridade em contratos de material militar.
Com informações de Gazeta do Povo