Buttes, Suíça – A startup suíça Sun-Ways começou a testar a instalação de painéis solares removíveis no espaço entre os trilhos de uma ferrovia em operação, na região de Buttes. A iniciativa pretende gerar eletricidade sem ocupar novas áreas naturais ou agrícolas, aproveitando a infraestrutura ferroviária já existente.
Como funciona o sistema
Os módulos fotovoltaicos são encaixados sobre os dormentes, entre os trilhos. Uma máquina desenvolvida pela empresa posiciona ou retira grandes quantidades de painéis rapidamente, garantindo que a manutenção da via férrea não seja prejudicada.
Capacidade de geração
No trecho de teste, com 100 metros de extensão, foram instalados 48 painéis capazes de produzir cerca de 16 mil quilowatts-hora por ano, volume suficiente para abastecer até seis residências. A Sun-Ways calcula que, se toda a malha ferroviária suíça recebesse a tecnologia, seria possível gerar aproximadamente 1 bilhão de quilowatts-hora anuais — o equivalente a 2% do consumo elétrico nacional, atendendo 300 mil casas.
Segurança para maquinistas
As placas contam com revestimento antirreflexo para evitar ofuscamento e suportam a pressão e as vibrações provocadas pela passagem constante de trens de carga e passageiros. O material também foi projetado para resistir a microfissuras.
Limpeza automatizada
A higienização dos módulos é feita por escovas instaladas na parte inferior dos trens que já circulam na linha. Enquanto o veículo se desloca, as escovas removem poeira, resíduos de óleo e outras partículas que poderiam reduzir a eficiência da captação de luz solar.
Desafios e prazos
Autoridades suíças autorizaram o projeto como experimento controlado devido a questões técnicas e de segurança, como exposição a neve, gelo e partículas metálicas. O teste, inicialmente previsto para durar seis meses, foi prorrogado para três anos a fim de avaliar o desgaste dos painéis e o impacto financeiro da retirada dos módulos quando houver necessidade de manutenção da via.
O estudo de longa duração buscará determinar se a tecnologia pode ser aplicada em maior escala nas ferrovias do país.
Com informações de Gazeta do Povo