O governo da China advertiu nesta segunda-feira (26) que adotará contramedidas depois que a União Europeia incluiu companhias chinesas no 20º pacote de sanções ligado à guerra na Ucrânia.
Em comunicado, o Ministério do Comércio de Pequim afirmou que “tomará as medidas necessárias para proteger de forma decidida os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas, e a UE arcará com todas as consequências”.
Descontentamento chinês
Segundo o porta-voz da pasta, a decisão de Bruxelas ignora “repetidas queixas” e fere o “consenso alcançado pelos líderes da China e da UE”, abalando a confiança mútua. A nota exige a exclusão imediata de cidadãos e companhias chinesas da lista europeia e pede que eventuais divergências sejam resolvidas por meio de diálogo.
Alvo ampliado
O pacote europeu divulgado na semana passada acrescenta 16 entidades de países terceiros — entre eles Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Cazaquistão e Belarus — acusadas de fornecer sistemas de armas ou bens de uso dual à Rússia. No total, 28 entidades localizadas na China, inclusive em Hong Kong, bem como na Turquia, nos Emirados Árabes Unidos e na Tailândia, passaram a ser investigadas por oferecer apoio direto ou indireto ao setor militar russo ou por ajudarem na evasão de sanções.
Antecedentes
A reação de Pequim ocorre poucos meses após o próprio Ministério do Comércio suspender punições impostas em agosto de 2025 a dois bancos lituanos. A medida seguiu-se à revogação, pela UE, de restrições contra duas instituições financeiras regionais chinesas que interromperam negócios com Moscou.
Desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, a China mantém postura de neutralidade declarada: pede negociações de paz, evita condenar o Kremlin e não adere às sanções ocidentais, ao mesmo tempo que aprofunda relações comerciais e estratégicas com a Rússia.
Com informações de Gazeta do Povo