Washington, 24 de abril de 2026 – Um e-mail interno do Departamento de Defesa dos Estados Unidos indica que o Pentágono considera aplicar sanções inéditas a aliados que se recusaram a colaborar na guerra contra o Irã. Entre as medidas aventadas estão a suspensão da Espanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a revisão do apoio diplomático de Washington às Ilhas Malvinas, território britânico reivindicado pela Argentina.
A informação foi obtida pela agência Reuters e confirmada por um funcionário do governo norte-americano, que relatou “frustração” com países que negaram direitos de acesso, base e sobrevoo (ABO) para missões ligadas ao conflito iniciado em 28 de fevereiro.
Espanha na mira
Governado pelo premiê socialista Pedro Sánchez, Madri proibiu a utilização do espaço aéreo espanhol por aviões envolvidos na operação e vetou o uso das bases de Rota e Morón. A eventual suspensão espanhola teria “efeito operacional limitado, porém impacto simbólico expressivo”, descreve o documento.
Em resposta à recusa, o presidente Donald Trump já ameaçou cortar relações comerciais com o país ibérico. No ano passado, a Espanha foi o único membro da Otan a rejeitar a meta, exigida por Trump, de destinar 5% do PIB à defesa até 2035, o que levou o líder norte-americano a sugerir a expulsão do país da aliança.
Apoio às Malvinas em xeque
Outra possibilidade discutida é reavaliar o respaldo de Washington às antigas possessões imperiais europeias, como as Ilhas Malvinas. O Reino Unido hesitou inicialmente em liberar suas bases aéreas para ações ofensivas, permitindo-as apenas para fins defensivos, mas acabou cedendo após pressão do governo dos EUA.
Trump tem criticado Londres por não auxiliar na reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã, e chegou a ironizar a atual capacidade da Marinha britânica.
Reações
Um porta-voz da Otan declarou à BBC que o tratado fundador da organização não prevê mecanismos para suspensão ou expulsão de membros. Já o premiê espanhol minimizou o conteúdo do e-mail divulgado, dizendo que “o governo trabalha com documentos oficiais e posições públicas” e reiterou que a Espanha cumpre suas obrigações “dentro da legalidade internacional”.
O conflito encontra-se sob cessar-fogo, mas as negociações sobre o acesso a bases e corredores aéreos continuam a gerar tensões dentro da aliança militar ocidental.
Com informações de Gazeta do Povo