Papa Leão XIV esteve na ilha italiana de Lampedusa no último sábado (4) para recordar os milhares de migrantes que perderam a vida ao tentar cruzar o Mediterrâneo. Durante a visita, o pontífice declarou que as mortes são consequência direta de “decisões políticas equivocadas” e, sobretudo, de “decisões nunca tomadas”, criticando a indiferença internacional que transforma o mar em um “grande cemitério”.
Apelo por políticas de longo prazo
Em homilia celebrada no campo esportivo Arena, Leão XIV advertiu que a migração não pode ser tratada como uma emergência passageira. Segundo ele, a comunidade global precisa adotar estratégias permanentes que garantam acolhimento, proteção e integração de quem busca refúgio.
Gestos simbólicos
O papa percorreu a ilha em um conversível Fiat, similar ao usado por Francisco em 2013, repetindo o gesto do predecessor. Antes da missa, visitou o cemitério local, depositou flores em túmulos de crianças migrantes e permaneceu em silêncio por alguns minutos.
Cobrança à Europa
Leão XIV instou as nações europeias a assumirem sua “responsabilidade histórica” e propôs um plano que una acolhimento e apoio ao desenvolvimento dos países de origem, “para que ninguém seja obrigado a deixar o próprio lar por necessidade”.
Parábola do Bom Samaritano
Valendo-se do relato bíblico, o pontífice alertou que “passar ao largo” da dor alheia equivale a conivência. Medo, preconceito e corrupção nos países de origem, afirmou, atuam como “ladrões” que retiram dignidade e vida de pessoas vulneráveis.
Encontro com famílias de migrantes
A emoção marcou a reunião com sobreviventes. Uma criança presenteou o papa com uma bola de futebol, lembrando que um brinquedo semelhante foi essencial para superar a perda de tudo há dez anos. Após a celebração, Leão XIV orou sozinho à beira-mar; uma rajada de vento levou seu solidéu às águas.
A visita encerrou-se com novo apelo para que governos adotem ações concretas que impeçam novas tragédias no Mediterrâneo.
Com informações de Gazeta do Povo