Em visita à Universidade de Roma “La Sapienza” na quinta-feira, 14 de maio de 2026, o papa Leão XIV advertiu que uma “grande mentira” — um sistema que reduz pessoas a números e exalta a competitividade — está por trás do aumento de ansiedade e depressão entre os jovens.
Falando na Aula Magna depois de um momento de oração na capela “Divina Sapienza”, o pontífice afirmou: “Não somos a soma do que temos, nem matéria aleatoriamente reunida em um cosmos mudo. Somos um desejo, não um algoritmo”. Segundo ele, a pressão por desempenho cria “espirais de ansiedade” e faz alguns estudantes acreditarem que as dificuldades “nunca terminam”.
Recepção calorosa no maior campus da Europa
Recebido pela reitora Antonella Polimeni, Leão XIV percorreu o campus e visitou a mostra “La Sapienza e o Papado”, que destaca laços históricos entre a instituição e a Santa Sé. Do lado de fora, milhares de alunos cantavam “Viva o papa”; telões foram instalados para quem não conseguiu entrar no auditório.
A presença papal contrasta com o episódio de 2008, quando protestos internos impediram a ida de Bento XVI para a abertura do ano letivo. Leão XIV não mencionou o incidente.
Críticas à guerra, ao rearmamento e à inteligência artificial
Em discurso marcado por referências à atual conjuntura global, o papa disse que um “mundo distorcido por guerras e por palavras de guerra” sofre com a “contaminação da razão” que transforma adversários em inimigos. Ele condenou o aumento dos gastos militares — que chegaram a US$ 2,887 trilhões em 2025, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo — e apontou a Europa como responsável por boa parte desse avanço, com alta de 14% (US$ 864 bilhões).
“Não chamemos de defesa um rearmamento que aumenta tensões, empobrece investimentos em educação e saúde e enriquece elites alheias ao bem comum”, declarou. O pontífice também pediu cautela no uso de inteligência artificial, advertindo para o risco de tecnologias que “aliviem as decisões humanas de responsabilidade ou agravem a tragédia dos conflitos”, citando Ucrânia, Gaza, Líbano e Irã.
Apelo à ecologia e ao sentido de vida
Ecoando a encíclica Laudato Si’, Leão XIV lamentou a falta de avanços significativos na proteção ambiental e convocou os jovens a “transformar a inquietação em profecia”. Ele criticou o “paradigma possessivo e consumista” e incentivou os estudantes a buscarem um “horizonte de significado” além da imediatidade.
Reações dos estudantes
Para a universitária Benedetta Marchiori, o encontro trouxe “alegria e esperança”. Já a estudante de medicina Chiara Clementoni destacou a ideia de que “não somos a soma do que nos aconteceu” e que o conhecimento pode ajudar na construção pessoal.
Presente simbólico
Ao término do evento, a La Sapienza presenteou o papa com uma réplica de uma pedra do Santo Sepulcro, local onde arqueólogos da universidade realizam escavações desde março de 2022 em parceria com comunidades cristãs que custodiam o sítio em Jerusalém.
A visita encerrou-se sem novos pronunciamentos, mas com o pontífice reiterando aos jovens: “Sejam um ‘sim’ radical à vida”.
Com informações de Gazeta do Povo