Mais de 30 ataques registrados entre 28 e 29 de abril, com ao menos 20 mortos, reacenderam o temor da violência na Colômbia a menos de um mês da eleição presidencial marcada para 31 de maio. A escalada de atentados acontece em meio à liderança do senador de esquerda Iván Cepeda, apadrinhado pelo presidente Gustavo Petro, nas principais pesquisas de intenção de voto.
Levantamentos recentes indicam Cepeda à frente, seguido pelos conservadores Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia. A expectativa é de segundo turno, cenário que pode ser alterado pelo impacto da crise de segurança sobre o eleitorado.
Segurança vira tema central
Desde o fracasso do projeto de “paz total” lançado por Petro em 2022 para negociar com dissidências das Farc e outros grupos armados, a violência voltou a crescer. Segundo María Victoria Llorente, da Fundação Ideias para a Paz, a presença dessas organizações passou de seis para pelo menos 13 departamentos durante o atual governo.
Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, acusa Cepeda de ter sido um dos formuladores da política que, segundo ela, fortaleceu as guerrilhas. A candidata prometeu abandonar o programa caso seja eleita, mesma posição assumida por Espriella, que defende “guerra total” contra o crime.
Acusações políticas
Nas redes sociais, Cepeda atribuiu os ataques a setores da “extrema-direita” interessados em enfraquecer sua campanha. Petro também relacionou a violência no sudoeste do país a uma tentativa de sabotar a votação: “O que a Junta do Narcotráfico quer? Que a ultradireita governe a Colômbia como no Equador”, afirmou.
Efeito eleitoral ainda incerto
Para Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, a explosão de violência desloca o debate eleitoral para questões de ordem pública, favorecendo propostas de endurecimento. O analista de risco político Sergio Guzmán observa que tanto governo quanto oposição tentam capitalizar o momento: um lado defende acelerar acordos com guerrilhas; o outro, respostas mais duras.
O internacionalista João Alfredo Lopes Nyegray, da PUCPR, avalia que o insucesso da “paz total” pode transformar a eleição em um plebiscito sobre a capacidade do Estado de controlar seu território. “Quando cresce o cansaço com a impunidade, propostas de linha dura deixam de parecer radicais e passam a ser vistas como necessárias”, afirma.
A pouco mais de quatro semanas do primeiro turno, a campanha entra na reta final sob clima de tensão, com receio de novos atentados e incerteza sobre quem, de fato, se beneficiará politicamente da insegurança.
Com informações de Gazeta do Povo