Caracas — O Partido Comunista da Venezuela (PCV) divulgou nota nesta segunda-feira (15) lamentando a morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, o “Niño Guerrero”, líder da facção criminosa Tren de Aragua, abatido em 12 de junho durante operação conjunta de forças norte-americanas e venezuelanas no estado de Bolívar, sul do país.
Segundo o PCV, a ação representa uma “execução sumária” e fere o devido processo legal. A sigla classificou o episódio como “violação de princípios do direito internacional e da soberania venezuelana”.
A morte de Niño Guerrero foi anunciada na sexta-feira (12) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atribuiu o resultado ao Comando Sul norte-americano. De acordo com o mandatário, o ataque foi “rápido e letal”.
Acusações contra o governo interino
O Executivo chefiado provisoriamente por Delcy Rodríguez confirmou a operação, mencionando suporte tecnológico e intercâmbio de informações de inteligência com Washington. O PCV acusou o governo de “subordinação aos interesses americanos”.
Preocupação com recursos minerais
Os comunistas também associaram a ofensiva militar a eventuais interesses econômicos dos Estados Unidos na região de Bolívar, rica em reservas minerais e próxima à fronteira com o Brasil. Para o partido, iniciativas desse tipo podem ampliar o controle de empresas estrangeiras sobre recursos naturais venezuelanos.
Facção classificada como terrorista
O Tren de Aragua surgiu em presídios venezuelanos e, nos últimos anos, expandiu-se por vários países das Américas. As autoridades norte-americanas atribuem à quadrilha crimes como tráfico de drogas e de pessoas, extorsão, lavagem de dinheiro e homicídios. Em 2025, Washington incluiu o grupo na lista de organizações terroristas estrangeiras.
O episódio ocorre num momento de reaproximação entre Caracas e Washington após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos em janeiro.
Com informações de Gazeta do Povo