Bogotá, 10 de maio de 2026 – O senador Iván Cepeda, 63 anos, disputa a Presidência da Colômbia como representante do bloco de esquerda Pacto Histórico, apoiado pelo presidente Gustavo Petro. O primeiro turno está marcado para 31 de maio, e as pesquisas mais recentes colocam o congressista na liderança, à frente do advogado Abelardo de la Espriella, de direita, e da senadora conservadora Paloma Valencia, do Centro Democrático.
Filho do ex-senador Manuel Cepeda, assassinado em 1994 durante a onda de violência que vitimou dirigentes da extinta União Patriótica (UP), o candidato estudou filosofia na Universidade de São Clemente de Ohrid, em Sófia, Bulgária. Militante histórico da esquerda, já passou pelo Partido Comunista Colombiano, pela própria UP e pela Aliança Democrática M-19 – partido originado do movimento guerrilheiro homônimo, ao qual Petro também pertenceu. Em 2025, integrou a fusão que formou o Pacto Histórico, após atuar no Polo Democrático Alternativo.
Antes de entrar definitivamente na política, Cepeda foi professor universitário e ativista de direitos humanos. Cumpriu mandato como deputado de 2010 a 2014 e ocupa uma cadeira no Senado há 12 anos. Durante esse período, participou das negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), cujo acordo foi assinado em 2016, e com o Exército de Libertação Nacional (ELN).
O principal antagonista de Cepeda é o ex-presidente Álvaro Uribe (2002–2010). O senador acusa o ex-mandatário de violações de direitos humanos e de ligações com grupos paramilitares de direita. Uribe, por sua vez, alega que Cepeda mantém laços com as Farc. Em 2020, o ex-presidente apresentou um e-mail que teria sido encontrado em computadores do ex-comandante guerrilheiro Raúl Reyes para sustentar a denúncia; Cepeda contesta a autenticidade do material, alegando que o conteúdo não foi validado pela Justiça.
No ano passado, Uribe foi condenado a 12 anos de prisão por manipulação de testemunhas em processo originado justamente de uma queixa que ele moveu contra Cepeda. Um tribunal superior anulou a sentença, mas o caso ainda aguarda análise pela Corte Suprema de Justiça.
As acusações ganharam novo fôlego quando a senadora Paloma Valencia afirmou ter visto Cepeda reunido com ex-líderes das Farc, como Jesús Santrich, classificando a campanha do Pacto Histórico como “extrema esquerda que protege dissidências guerrilheiras”. Cepeda reagiu prometendo processar quem o vincular à guerrilha. “Defenderei minha honra sempre que for necessário”, declarou.
Com a votação se aproximando, o senador concentra a campanha em Bogotá e em regiões que deram ampla vantagem a Petro em 2022, enquanto tenta neutralizar os ataques dos adversários sobre sua suposta proximidade com as Farc.
Com informações de Gazeta do Povo