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Governo Trump amplia carteira acionária em empresas estratégicas nos EUA e no exterior

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Washington — Desde que Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 2025, a administração republicana passou a comprar participações diretas em companhias consideradas vitais para a segurança nacional. Segundo relatório do Council on Foreign Relations (CFR) divulgado neste mês, o governo já comprometeu US$ 26,7 bilhões em cerca de 30 acordos desse tipo.

Participações distribuídas por vários órgãos

De acordo com o CFR, até o início de julho:

  • O Departamento de Comércio anunciou 17 negócios;
  • A Development Finance Corporation (DFC) firmou 6 compromissos;
  • O Departamento da Guerra realizou 7 acordos;
  • O Departamento de Energia respondeu por 2 operações.

Casos de destaque

Outro estudo, publicado em fevereiro pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), detalha fatias já adquiridas pelo Executivo:

  • U.S. Steel — golden share que garante poderes especiais de governança ao presidente;
  • Intel — 9,9% do capital;
  • USA Rare Earth — 10% de participação.

A USA Rare Earth pagou US$ 2,8 bilhões pela brasileira Serra Verde, controlando a única mina de argilas iônicas em produção fora da Ásia, localizada em Goiás. A previsão da companhia é que o ativo responda por mais da metade da oferta mundial de terras raras pesadas produzida fora da China até 2027.

Negociações em curso

O jornal britânico Financial Times noticiou, no começo de julho, que a OpenAI, criadora do ChatGPT, discute a venda de 5% de suas ações ao governo norte-americano. Caso concretizado, o negócio ampliará a lista de participações federais em empresas de tecnologia.

Modelo alternativo com Nvidia e AMD

Embora não detenha ações da Nvidia e da AMD, o governo passou a receber parte da receita oriunda da venda de chips dessas fabricantes para a China. Em troca, autoriza a exportação de determinados semicondutores ao mercado chinês.

Vantagens e riscos apontados por especialistas

O CSIS elenca cinco ganhos potenciais da estratégia: reforço da segurança nacional, oferta de capital e liquidez, sinalização positiva ao mercado, manutenção da competitividade global e retorno financeiro ao Tesouro. Entre as desvantagens citadas estão o risco de politização, clientelismo e possíveis conflitos entre o papel de investidor e regulador do Estado.

Allan Gallo, pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, avalia que a política visa blindar cadeias de suprimentos em setores como terras raras e semicondutores, diante da dependência da China no refino desses materiais. Ele destaca, porém, a ausência de um marco legal claro, a negociação caso a caso e o fato de Washington ter participações simultâneas em empresas concorrentes, como MP Materials (15%) e USA Rare Earth.

Episódio envolvendo a Intel

Em 2025, Trump pediu a saída do CEO da Intel, Lip-Bu Tan, citando supostas ligações com companhias chinesas. Semanas depois, porém, o governo fechou acordo que lhe garantiu 9,9% da fabricante de chips, num entendimento elogiado publicamente pelo presidente.

Com a soma de novos aportes, a Casa Branca reforça uma estratégia que combina subsídios, empréstimos, incentivos fiscais e, agora, assento direto no capital de empresas vistas como decisivas para a competitividade e a segurança dos Estados Unidos.

Com informações de Gazeta do Povo