Moscou, 12 jul. 2026 – O empresário Andrey Melnichenko, apontado pela revista Forbes como o homem mais rico da Rússia e conhecido no mercado como “rei dos fertilizantes”, concedeu mais de 60 horas de entrevista à The Economist e rompeu o habitual silêncio da elite russa ao traçar cenários sombrios para o país caso a guerra na Ucrânia termine em derrota.
Quatro possíveis rumos
No extenso diálogo, Melnichenko apresentou quatro trajetórias pós-conflito, todas consideradas negativas:
1. Reintegração periférica – retorno à ordem ocidental, mas em posição subalterna, o que, segundo ele, alimentaria sentimentos de revanche.
2. Dependência da China – Moscou passaria a orbitar Pequim como fornecedora de matérias-primas, sujeita a uma relação assimétrica.
3. Guerra civil e fragmentação – disputa interna entre diferentes “senhores da guerra”, com o arsenal nuclear espalhado pelo território.
4. Isolamento total – modelo semelhante ao da Coreia do Norte, baseado em militarismo, repressão e economia de fortaleza.
O bilionário afirma que apenas uma Rússia “soberana”, voltada ao bem-estar da população e com comportamento previsível, evitaria essas alternativas.
Entrevista considerada arriscada
A decisão de falar publicamente contrasta com o destino de dezenas de oligarcas e executivos que morreram em circunstâncias suspeitas desde 2022, muitos após criticar a ofensiva na Ucrânia. A lista inclui nomes ligados à Gazprom, Lukoil e Novatek, além de figuras como Yevgeny Prigozhin, que caiu com seu jato em 2023.
Primeiro encontro com Putin
Melnichenko relatou que, na primeira reunião no Kremlin, admitiu ao presidente Vladimir Putin sentir “100% de medo”, mas afirmou querer contribuir para o país. O empresário também criticou a antiga prática de manter fortunas no Ocidente, lembrando que muitos ativos foram congelados após o início da guerra.
“Não se pode ter um país para ganhar dinheiro e outro para viver em segurança”, disse ele, ecoando advertências que o Kremlin faz aos magnatas desde a década passada.
A entrevista de Melnichenko foi publicada em 12 de julho, data em que o empresário reforçou o recado: uma Rússia humilhada militarmente “quase certamente gerará um revanchismo agressivo”, com riscos que vão do colapso interno à escalada nuclear.
Com informações de Gazeta do Povo