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Principal general chinês é investigado por suposto vazamento de segredos nucleares aos EUA

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Pequim – O governo chinês abriu investigação contra o general Zhang Youxia, segundo oficial mais graduado das Forças Armadas, por suspeita de entregar informações técnicas sobre armas nucleares aos Estados Unidos. As acusações, reveladas pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal, também incluem recebimento de propina e favorecimento em promoções militares.

De acordo com fontes ouvidas pelo veículo, a denúncia foi apresentada em uma sessão reservada a oficiais de alto escalão no último fim de semana. Zhang, de 73 anos, ocupa a vice-presidência sênior da Comissão Militar Central (CMC) — órgão comandado pelo líder chinês Xi Jinping — e integra o Politburo, composto por 24 membros do Partido Comunista.

Relação com outros casos

O suposto vazamento estaria conectado à recente investigação sobre Gu Jun, ex-diretor-geral da estatal China National Nuclear Corporation (CNNC), responsável pelos programas nucleares civis e militares do país. Não foram divulgados detalhes adicionais sobre a natureza dos documentos ou a extensão do dano à segurança nacional.

Acusações internas

Além do repasse de dados sensíveis, Zhang é acusado de “formar facções políticas”, abusar da autoridade dentro da CMC e aceitar “subornos vultosos”, entre eles o que teria facilitado a nomeação de Li Shangfu para o cargo de ministro da Defesa em 2023. Li foi destituído no mesmo ano.

Investigadores confiscaram aparelhos eletrônicos de vários oficiais que cresceram na carreira junto com Zhang, bem como do general Liu Zhenli, chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da CMC, também sob escrutínio. Segundo o Journal, milhares de militares ligados a ambos podem ser investigados.

Foco em contratos militares

O período em que Zhang liderou uma agência de pesquisa, desenvolvimento e aquisições militares em Shenyang (2007-2012) é alvo de auditoria determinada pessoalmente por Xi Jinping.

Pressão para 2027

Editorial publicado no domingo (25) pelo jornal oficial do Exército acusou Zhang e Liu de “enfraquecer” a autoridade de Xi, agravar a corrupção e comprometer a prontidão de combate antes do centenário do Exército de Libertação Popular, em 2027. O Pentágono avalia que, até lá, Pequim pretende ter capacidade de invadir Taiwan.

Zhang era visto como peça-chave na modernização militar defendida por Xi — relação reforçada pelo vínculo entre seus pais, que lutaram juntos na guerra civil chinesa. Desde 2012, o líder conduz sucessivas campanhas anticorrupção que já atingiram figuras como He Weidong, Miao Hua, Wei Fenghe, Li Shangfu, Li Yuchao e Wang Houbin.

Posicionamento oficial

Em nota ao Wall Street Journal, Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, afirmou que a investigação demonstra a política de “tolerância zero” do Partido Comunista contra corrupção.

Não há prazo divulgado para a conclusão do inquérito contra Zhang Youxia.

Com informações de Gazeta do Povo