Bujumbura (Burundi) / Kigali (Ruanda) – Marguerite Barankitse, 68 anos, converteu o horror da guerra civil do Burundi em um dos maiores projetos humanitários da África. Desde 1993, a fundadora da Maison Shalom acolheu e acompanhou dezenas de milhares de órfãos de diferentes etnias, oferecendo abrigo, educação e atendimento médico.
Origem do resgate
O trabalho começou durante o golpe de Estado de outubro de 1993. Após presenciar a execução de 72 pessoas próximas, Barankitse fugiu com 25 crianças hutus e tutsis para uma igreja católica. O episódio, que quase lhe custou a fé, virou a semente de uma rede de proteção às vítimas do conflito.
O que é a Maison Shalom
Fundada logo após o massacre, a organização — cujo nome significa “Casa da Paz” — vai além do acolhimento. Crianças recebem escolarização, assistência médica e apoio psicológico. O objetivo declarado é romper o ciclo de ódio, ensinando perdão e reconciliação entre grupos rivais.
Resgates em zonas de combate
Barankitse atravessou linhas de fogo para salvar menores abandonados. Entre os casos relatados, estão o de um bebê de quatro meses retirado das costas de sua mãe morta e o de uma menina com ferimento grave no pescoço, levada para tratamento após a ativista enfrentar resistência de passageiros em um aeroporto.
Exílio e expansão em Ruanda
A escalada de violência política no Burundi obrigou a líder humanitária a deixar o país em 2015. Instalada em Kigali, ela fundou o Oásis da Paz, centro que já atendeu mais de 70 mil refugiados burundianos. O local oferece microcrédito para famílias, formação profissional e educação para crianças em situação de vulnerabilidade.
Base espiritual
Católica praticante, Barankitse afirma que sua missão é restaurar a dignidade humana. Mesmo após crises de fé provocadas pela barbárie, sustenta que “o amor é mais forte que o ódio” e continua a disseminar a mensagem de compaixão que conduz seu trabalho há mais de três décadas.
Com informações de Gazeta do Povo