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Bloqueios de apoiadores de Evo Morales fecham aeroporto e agravam crise na Bolívia

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La Paz – Apoiadores do ex-presidente Evo Morales bloquearam neste sábado, 16 de maio, a pista do aeroporto de Chimoré, no departamento de Cochabamba, para impedir uma possível operação de prisão contra o líder socialista, alvo de três ordens de detenção na Bolívia.

Morales responde a processos que o acusam de abuso sexual e tráfico de pessoas envolvendo uma adolescente em 2015. Temendo a captura do ex-mandatário, manifestantes — conhecidos no país como “evistas” — espalharam pedras, galhos e entulho na pista e prometeram resistir “mesmo que custe vidas”, segundo o dirigente Teófilo Sánchez.

Escalada de protestos e desabastecimento

Os bloqueios no aeroporto somam-se a barreiras em rodovias erguidas durante a semana por setores camponeses, sindicatos e grupos sociais que cobram a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, eleito em 2025. A adesão dos evistas ampliou a crise de abastecimento em La Paz e na vizinha El Alto, onde já faltam alimentos, combustíveis, medicamentos e oxigênio hospitalar, de acordo com autoridades locais.

Operação “Corredor Humanitário” termina em confronto

Para liberar as principais rotas, o governo lançou a operação Corredor Humanitário com cerca de 2.500 policiais e 1.000 militares. Houve choques em vários pontos: manifestantes atiraram pedras, explosivos improvisados e dinamites; as forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo. A Defensoria do Povo contabilizou pelo menos 57 detenções.

Após horas de tensão, tropas recuaram parcialmente de uma das estradas estratégicas para evitar um confronto direto com centenas de simpatizantes de Morales que marchavam rumo a La Paz. Autoridades informaram que três mulheres morreram por não conseguirem atendimento médico a tempo em razão das vias interrompidas.

Pressão internacional

Em nota conjunta, Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru manifestaram preocupação com a situação humanitária e condenaram quaisquer tentativas de desestabilizar a ordem democrática boliviana. Os governos declararam apoio ao presidente Rodrigo Paz e pediram diálogo e respeito às instituições.

Acusações e defesa

O porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, afirmou que Morales lidera um plano de ruptura institucional financiado pelo narcotráfico e articulado a partir de Cochabamba. O ex-presidente nega e diz ser alvo de perseguição política. Na semana passada, acusou a agência antidrogas dos Estados Unidos (DEA) e o Exército boliviano de prepararem sua captura.

O aeroporto de Chimoré, principal reduto sindical e político de Morales, já havia sido palco de ocupações desde a crise de 2019, ano em que o ex-mandatário deixou o país após perder o apoio das Forças Armadas em meio a denúncias de fraude eleitoral.

Com informações de Gazeta do Povo