Londres – A ex-ministra britânica e ex-deputada conservadora Ann Widdecombe, 78 anos, foi localizada morta na noite de quinta-feira (9) em sua residência na vila de Haytor, no condado de Devon, sudoeste da Inglaterra. Segundo a Polícia de Devon e Cornwall, a ex-parlamentar apresentava “ferimentos gravíssimos”; a natureza das lesões não foi divulgada.
As autoridades descartaram vínculo com terrorismo e afirmaram não haver, até o momento, indícios de motivação política. “Nossa prioridade continua sendo identificar os responsáveis e garantir que todas as evidências disponíveis sejam minuciosamente examinadas”, declarou o chefe-assistente de polícia Matt Longman.
Suspeito detido e liberado
Na sexta-feira (10), um homem de 26 anos foi preso sob suspeita de envolvimento no caso. Ele acabou liberado no sábado (11) e deixou de ser alvo da investigação, informou a corporação.
Carreira marcada por posições conservadoras
Membro do Partido Conservador, Widdecombe foi secretária de Estado para Assuntos Prisionais entre 1992 e 1997, no governo do então primeiro-ministro John Major. Ao longo da carreira, defendeu bandeiras socialmente conservadoras, como a oposição ao aborto e à equiparação da idade de consentimento para relações homossexuais e heterossexuais. Também apoiou o uso de algemas em presidiárias grávidas durante o parto para evitar fugas.
Solteira e autodeclarada virgem, converteu-se ao catolicismo e tornou-se defensora de valores familiares. Depois de deixar o Parlamento em 2010, participou do programa de TV “Strictly Come Dancing”, alcançando popularidade junto ao público apesar das críticas dos jurados.
Em 2019, aproximou-se de Nigel Farage, foi eleita eurodeputada pelo Partido do Brexit e, mais tarde, tornou-se porta-voz para imigração e justiça do Reform UK, legenda sucessora do movimento pró-Brexit.
Homenagens e histórico de violência política
Personalidades de diferentes correntes lamentaram a morte. O ex-primeiro-ministro Boris Johnson classificou Widdecombe, na rede X, como “defensora heroica do Brexit” e “grande oradora”. O atual premiê britânico, Keir Starmer, destacou “a dedicação de Ann durante seus muitos anos de serviço público”.
O caso reacendeu memórias de ataques contra parlamentares no Reino Unido. Em 2016, a trabalhista Jo Cox foi assassinada durante a campanha do Brexit. Em 2021, o conservador David Amess morreu esfaqueado por um extremista inspirado pelo Estado Islâmico.
As investigações sobre a morte de Ann Widdecombe prosseguem sem prazo para conclusão.
Com informações de Gazeta do Povo