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Governo aciona ONU e FIFA por casos de racismo e discurso de ódio na Copa de 2026

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O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), órgão ligado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou representações formais à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Federação Internacional de Futebol (FIFA) denunciando episódios de racismo, discriminação e discurso de ódio registrados durante a Copa do Mundo de 2026.

Os documentos foram protocolados no Comitê de Direitos Humanos da ONU (CCPR), na Relatoria Especial da ONU sobre Formas Contemporâneas de Racismo, no Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos e no canal oficial de denúncias da FIFA.

Obrigações dos países-sede

Na representação, o CNDH sustenta que Estados Unidos, Canadá e México — países que sediam o torneio —, bem como outras nações envolvidas, têm deveres previstos em tratados internacionais para prevenir, investigar e punir condutas de ódio ocorridas em seus territórios.

A iniciativa “busca fortalecer a responsabilização e a adoção de medidas de prevenção, investigação e reparação diante de violações de direitos humanos no esporte”, afirmou o conselho.

Monitoramento nas redes

Segundo o CNDH, mais de 6 milhões de publicações sobre a Copa foram analisadas; cerca de 89 mil mensagens foram consideradas abusivas, e 11% delas continham conteúdo classificado como racista.

Casos citados

  • Ataques sofridos pelo francês Kylian Mbappé após a partida contra o Paraguai, incluindo declarações ofensivas da senadora paraguaia Celeste Amarilla, repudiadas por Assunção e Paris.
  • Artigo do ex-primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy que questionou a “francesidade” de jogadores negros da seleção francesa, fato que levou o governo espanhol a pedir desculpas oficiais.
  • Investigação aberta pela FIFA sobre insultos racistas dirigidos ao influenciador norte-americano IShowSpeed por torcedores argentinos.

Pedidos à FIFA

O CNDH solicitou que a atuação da entidade máxima do futebol seja avaliada à luz dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, de modo a garantir mecanismos mais eficazes de prevenção e punição.

Para a presidente do conselho, Ivana Leal, os dados “reforçam a necessidade de os Estados adotarem medidas efetivas de prevenção, responsabilização e proteção das vítimas”. O relator Carlos Nicodemos observou que os episódios “extrapolam o ambiente esportivo” e justificam “a atuação conjunta de organismos internacionais”.

As representações foram enviadas em 19 de julho de 2026, data em que o CNDH concluiu o relatório e formalizou as denúncias.

Com informações de Gazeta do Povo