O bispo auxiliar de Caracas, Carlos Márquez, afirmou que os terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho, deixando mais de 4.800 mortos, são fenômenos naturais da Terra e não punições de Deus. A declaração foi feita em 19 de julho de 2026, durante reflexão sobre o sentido do sofrimento provocado pelo desastre.
Processos naturais, não punição
Segundo Márquez, abalos sísmicos fazem parte dos ajustes biológicos e físicos do planeta. Ele recordou que, no passado, catástrofes eram associadas a maldições divinas, mas hoje a ciência mostra que a terra “se reajusta e evolui”. O prelado ressaltou que, muitas vezes, o número de vítimas aumenta por falhas humanas, como construções em áreas inadequadas ou edificações erguidas sem padrões de segurança.
Liberdade humana e responsabilidade
Para o bispo, a liberdade de escolha é decisiva nos resultados de um desastre. “Quando prédios caem porque foram construídos em solos instáveis ou com material precário, o sofrimento tem origem em decisões humanas”, disse. Márquez reforçou que Deus “não deseja nem ordena tragédias”, mas os seres humanos estão sujeitos às leis da natureza e às consequências de suas próprias ações.
Fé como amparo na dor
O líder religioso destacou que a promessa cristã não elimina o sofrimento, mas garante que ninguém passe por ele sozinho. A presença divina, explicou, manifesta-se na solidariedade da comunidade, na intercessão dos santos e no apoio mútuo entre as pessoas. O isolamento, acrescentou, agrava a sensação de perda.
Visão de futuro e reconstrução
Utilizando referências bíblicas, Márquez lembrou que a criação “geme em dores de parto”, sinalizando que dificuldades fazem parte de um processo rumo à plenitude. Aos sobreviventes, ele recomendou concentrar esforços no “como” reconstruir, em vez de paralisar no “por quê”. Criatividade e generosidade foram apontadas como marcas do povo venezuelano que podem transformar a tragédia em propósito de vida.
O bispo concluiu que erguer novamente casas, comunidades e esperanças honrará a memória dos que perderam a vida e permitirá que a nação “se levante das cinzas e do pó”.
Com informações de Gazeta do Povo