No último domingo, 20, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestou-se sobre as críticas recebidas em relação à sua atuação, afirmando que elas refletem um “preconceito regional” com raízes racistas.
Em uma publicação no Instagram, Dino se defendeu de comentários que questionam sua origem maranhense e suas referências filosóficas em seus votos. Ele não citou diretamente os veículos de comunicação, mas reproduziu termos utilizados em recentes textos da imprensa.
“Um aspecto que me chama a atenção nas ‘críticas’ é o ódio à minha procedência regional”, afirmou. O ministro exemplificou com frases como “jurista de província” e “oratória grandiloquente de província”. Segundo ele, essas manifestações são uma forma de preconceito que não pode ser ignorada.
As críticas à atuação de Dino se intensificaram após uma sessão do STF em 15 de outubro, onde ele fez uso de citações de Aristóteles. O jornal O Globo, em editorial, chamou sua postura de “oratória grandiloquente de província”. Já na Folha de S.Paulo, o professor Conrado Mendes mencionou que a atuação do ministro apresentava “pitadas de agressão” e “citações de algibeira”.
O jornalista Mario Sergio Conti também criticou a menção de Dino a Aristóteles, insinuando que o ministro estava tentando se mostrar mais sábio do que realmente é. Por outro lado, o filósofo Luiz Felipe Pondé destacou a coerência em algumas referências de Dino, mas apontou uma imprecisão em sua associação entre ironia e descontração.
Dino se defendeu, afirmando que estudou Aristóteles na Universidade Federal do Maranhão, sob a orientação do professor Agostinho Ramalho Marques Neto. “Mas como? No Maranhão se estuda Aristóteles?”, questionou, ironizando a reação de seus críticos.
O ministro reafirmou seu orgulho por sua origem e sua determinação em manter a independência funcional como magistrado. “O exercício das minhas funções públicas exige que eu me submeta ao debate e às críticas”, declarou, ressaltando a importância de defender a dignidade e o respeito nas discussões.
Fonte: Revista Oeste.









