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Flávio Bolsonaro sugere ligação entre urnas brasileiras e Smartmatic, mas retifica discurso diante de diplomatas

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Brasília — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência em 2026, afirmou nesta terça-feira (21) que “muitas” urnas eletrônicas utilizadas no Brasil teriam “a mesma origem” das máquinas fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic, alvo de denúncias de fraudes na Venezuela. A declaração foi feita durante o evento “Debatendo o Brasil”, que reuniu diplomatas de 42 países na capital federal.

Flávio citou relatórios divulgados na semana passada pela CIA, nos Estados Unidos, que apontam suspeitas sobre o processo eleitoral venezuelano. “Uma das suspeitas é que uma empresa chamada Smartmatic […] tenha programação para alteração das votações naquele país. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”, disse o senador.

TSE nega vínculo com Smartmatic

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu, em notas de 2020, 2022 e 2026, qualquer participação da Smartmatic no desenvolvimento, fornecimento ou software das urnas nacionais. De acordo com o Tribunal, todo o projeto da urna eletrônica brasileira é concebido e administrado pela própria Justiça Eleitoral. A empresa, segundo o TSE, apenas prestou serviços de conexão de dados e voz e chegou a disputar, sem êxito, uma licitação para fabricar urnas em 2020.

Pedido de observadores internacionais

No encontro, Flávio solicitou que os países enviem “a maior quantidade de observadores possíveis” para o pleito deste ano. Ele ressaltou que o pedido não significaria contestação ao sistema: “Não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas peço que enviem pessoas com conhecimento em tecnologia para que o Brasil tenha eleições mais seguras e transparentes”.

Nota de recuo após repercussão

Após a divulgação do discurso por veículos de imprensa, a equipe do pré-candidato divulgou nota oficial negando que Flávio tenha colocado em dúvida a integridade do processo eleitoral. O comunicado, assinado também pelo senador Rogério Marinho (coordenador da pré-campanha) e pela advogada Maria Claudia Bucchianeri (coordenadora jurídica), sustenta que o parlamentar “limitou-se a relatar fatos públicos” — a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro e o relatório da CIA sobre a Venezuela — e reafirma “integral confiança no sistema eleitoral brasileiro”.

Antecedentes

Em 2023, o TSE tornou Jair Bolsonaro inelegível por abuso de poder político, após reunião com embaixadores em 2022 em que o então presidente questionou a segurança das urnas. O novo episódio com Flávio ocorreu em ambiente fechado, mas a gravação circulou entre veículos de comunicação.

A Smartmatic voltou ao centro do debate após a menção do senador, mas o TSE reiterou que a empresa “não forneceu nem fornece urnas eletrônicas” ao Brasil, tampouco participou da programação dos equipamentos.

O evento “Debatendo o Brasil” foi organizado pelo site The Brazilian Report em parceria com a agência Novo Selo Comunicação.

Com informações de Gazeta do Povo