A Ucrânia vive uma crise política interna desde a semana passada, quando o então ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, responsável pela moderna estratégia de drones do país, foi dispensado do cargo. A turbulência se agravou nesta terça-feira (21/07/2026) com a retirada do comandante do Exército, Oleksandr Syrskyi, substituído pelo general Mykhailo Drapatyi, ex-chefe das Forças Conjuntas.
A saída de Fedorov provocou manifestações em Kyiv e em outras cidades, onde milhares pediram sua recondução e a destituição de Syrskyi. Para conter o desgaste, o presidente Volodymyr Zelensky decidiu mudar as duas principais lideranças militares.
Avanços no front e pressão popular
Com o plano de drones idealizado por Fedorov, Kyiv retomou mais de 240 km² na região de Oleksandriovka — avanço inédito desde 2023 — e executou ataques de longo alcance contra refinarias, navios e portos russos, provocando escassez de combustível na Rússia. O presidente russo Vladimir Putin admitiu publicamente o problema.
Fedorov também convenceu o empresário Elon Musk a restringir o uso da constelação Starlink pelas forças russas, mantendo o serviço para a Ucrânia, movimento que, segundo Kiev, influenciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a rever o apoio a Moscou.
Choque de métodos militares
Syrskyi, condecorado pela ofensiva de 2022 que recuperou parte dos territórios tomados pela Rússia, mantinha uma doutrina tradicional baseada em tropas, blindados e artilharia. Já Fedorov defendia substituir soldados por drones, proposta bem-recebida em um país que enfrenta escassez de efetivos.
Reformas implementadas
Entre as mudanças comandadas por Fedorov estão:
- Distribuição de munições e suprimentos conforme o desempenho de cada unidade, medido por vídeos de ataques bem-sucedidos feitos por drones;
- Sistema de comunicação de manobras que dificulta ocultar perdas de território;
- Programa Sky Fortress, rede de sensores acústicos que detecta drones inimigos por inteligência artificial, dispensando radares caros.
Pronunciamento oficial
Durante coletiva com jornalistas latino-americanos, o porta-voz da chancelaria ucraniana, Heorhii Tykhyi, minimizou a crise: “Emoções às vezes afloram, mas isso é parte da vida democrática. A inovação tecnológica continuará porque é questão de sobrevivência”, afirmou, direto de Kyiv, em videoconferência interrompida brevemente pela aproximação de um drone russo.
Tykhyi acrescentou que a Ucrânia passa por uma “reforma profunda do exército” e que problemas são debatidos abertamente, diferentemente do que ocorre na Rússia.
Sob lei marcial, Zelensky mantém mandato prorrogado e promove mudanças no gabinete com a promessa de transparência.
Com informações de Gazeta do Povo