Na última quinta-feira (8), Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, reiterou seu compromisso em acabar com a reeleição presidencial, apresentando uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que, se aprovada, afetaria sua própria possibilidade de reeleição. Essa iniciativa busca consolidar apoio entre aliados que almejam a presidência em 2030, além de amenizar a resistência de eleitores à continuidade da família Bolsonaro no poder.
Após garantir apoio do Centrão ao vencer o primeiro turno, Flávio pretende usar seu capital político para viabilizar a aprovação da mudança. Ele afirmou que deseja competir pelo “futuro do Brasil e não pelo poder”, sugerindo que renunciaria à possibilidade de se reeleger para assegurar a alternância no cargo e eliminar o que considera um “estatuto que não funcionou” no país.
A proposta de Flávio, protocolada em 2 de março, proíbe a candidatura imediata do presidente a um novo mandato, mantendo os quatro anos de governo intactos, mas não se estendendo a governadores e prefeitos, um ponto que visa diminuir a resistência de aliados. O senador ressalta que a decisão final cabe ao Congresso Nacional.
Recentemente, Flávio tem defendido a inclusão de restrições a familiares até o terceiro grau, um aspecto que dependerá das negociações com os parlamentares, muitos dos quais poderão apoiar sua futura administração.
A proposta também visa organizar a sucessão dentro da direita, com Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito governador de São Paulo, posicionando-se como um potencial concorrente à presidência em 2030. Ambos já se comprometeram a apoiar um ao outro, embora não tenham oficializado um acordo claro sobre reeleições.
A recente adesão do Podemos à campanha de Flávio, somando-se a outros partidos como a Federação de União Brasil e PP, fortalece sua base de apoio na corrida presidencial. Essa movimentação demonstra um recuo do Centrão na nova composição da Câmara dos Deputados.
Ao excluir parentes da disputa, Flávio busca distanciar-se das especulações sobre uma possível volta de Jair Bolsonaro ao Planalto, enfatizando que seu mandato não deve ser visto como uma simples passagem de bastão.
Vale ressaltar que o compromisso em acabar com a reeleição enfrenta desafios, especialmente considerando o histórico de líderes que prometeram o mesmo, mas não cumpriram. Flávio tenta se diferenciar ao vincular seu compromisso a uma mudança constitucional real.
Ele acredita que um mandato único permitirá que o presidente enfrente problemas estruturais sem se preocupar com as consequências eleitorais imediatas, o que poderia facilitar um ajuste fiscal severo.
Entretanto, a ausência de uma candidatura em 2030 não elimina a pressão de aliados que continuarão competindo em eleições futuras e podem resistir a cortes impopulares.
Para que sua proposta se torne realidade, Flávio precisará conquistar o apoio necessário no Congresso, o que inclui a aprovação de 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos nas duas casas legislativas. Ele está aberto a discutir detalhes, como a duração do mandato e a extensão da PEC a governadores e prefeitos, a fim de esclarecer a abrangência de suas mudanças.
Fonte: Gazeta Do Povo.









