São Paulo, 16 de julho de 2026 – A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pelo novo pacote de tarifas anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A posição foi divulgada em nota assinada pelo presidente da entidade, Paulo Skaf, e gerou reação imediata da coordenação da campanha de reeleição do petista.
O aumento das taxas foi anunciado por Washington na noite de quarta-feira (15). Segundo Skaf, “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington” teriam colocado em risco vínculos construídos em mais de dois séculos de cooperação bilateral, culminando no chamado “tarifaço”. Ele classificou a postura do governo como estratégia com fins “político-eleitorais”.
Em resposta, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador nacional da campanha de Lula, disse que a nota da Fiesp é “vergonhosa” e acusou Skaf de instrumentalizar a entidade para atacar a soberania nacional. Carvalho afirmou que os associados deveriam cobrar do presidente da federação uma busca por “consenso” em vez de “fortalecer” argumentos norte-americanos contra o Brasil.
Governo aponta envolvimento da família Bolsonaro
Em nota oficial, o governo federal sustentou que a imposição das tarifas decorre de “um enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro”. O texto acusa os ex-aliados de Donald Trump de agirem por “objetivos eleitoreiros” e garante que o Planalto “não vacilará” na defesa da soberania.
A oposição reagiu citando declaração do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que culpou diretamente Lula: “No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”. Nas redes sociais, o senador Flávio Bolsonaro chamou o petista de “Biden brasileiro” e o classificou como “inconsequente”.
O debate ocorre em meio à mobilização do governo para conter impactos políticos e econômicos do tarifaço. Ministros foram orientados a reforçar o discurso de que o endurecimento tarifário é consequência de ações de adversários ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com informações de Gazeta do Povo