Com a aproximação das eleições, a circulação de vídeos nas redes sociais tem intensificado um debate sobre uma suposta rivalidade entre católicos e evangélicos no Brasil. Essa discussão ganhou destaque especialmente após a disseminação de informações falsas envolvendo Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do país.
Um dos vídeos mais impactantes foi divulgado pela cantora e ex-BBB Juliette Freire no dia 12 de outubro, intitulado “A guerra à santa”. Com cerca de 22 minutos, Juliette menciona episódios de intolerância religiosa e sugere que declarações de líderes evangélicos estão ligadas a disputas políticas. Ela ainda destaca que muitos católicos se sentem ameaçados e que a intolerância religiosa é promovida por figuras poderosas que buscam dividir o povo através da fé.
Por outro lado, líderes evangélicos têm rechaçado essa narrativa de um conflito religioso. No dia 28 de setembro, o Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que representa cerca de 10 mil pastores, publicou uma nota contra a propagação de informações falsas sobre a padroeira do Brasil. O documento, assinado por 14 líderes, entre eles o pastor Silas Malafaia, enfatiza que não há planos de mobilizações evangélicas para retirar direitos ou símbolos religiosos dos católicos.
Um exemplo positivo de convivência entre as duas comunidades ocorreu durante as celebrações do Dia de Nossa Senhora Aparecida. A Igreja Evangélica Vida Nova de Aparecida, por exemplo, acolheu romeiros católicos oferecendo água, café e outros serviços desde as 4h da manhã, demonstrando que as diferenças doutrinárias não impedem a solidariedade.
A controvérsia recente foi impulsionada por alegações de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) planejava retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Essa informação, originada de um projeto de lei de 2007 que já estava arquivado, viralizou após uma reportagem da GloboNews que, posteriormente, reconheceu o erro e se desculpou.
Católicos e evangélicos também têm se unido em defesa da liberdade religiosa. Em setembro de 2021, líderes de ambas as tradições assinaram uma declaração ecumênica no Rio de Janeiro, enfatizando a importância do diálogo e da unidade entre os cristãos. O cardeal Orani João Tempesta ressaltou que a unidade é um dom que deve ser cultivado.
Recentemente, durante as celebrações de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, também fez um apelo pela paz e respeito às diferenças, condenando o uso da religião como ferramenta para divisões políticas. Ele lembrou que o Evangelho não justifica o ódio ou a violência contra aqueles que têm opiniões diferentes.
Fonte: Guiame.









