Quase um em cada dois jovens adultos norte-americanos afirma que o respaldo de fiéis a Donald Trump reduz sua vontade de participar de cultos presenciais. A conclusão faz parte de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa do Centro Billy Graham, que ouviu 2.365 integrantes da Geração Z, entre 18 e 28 anos.
Dado principal
Ao todo, 48% dos entrevistados concordaram com a afirmação “o apoio dos cristãos a Trump fez com que eu tivesse menos vontade de ir à igreja”. O grupo divide-se em 19% que “concordam totalmente”, 14% que “concordam” e 15% que “concordam parcialmente”. Outros 52% discordaram em diferentes níveis.
Metodologia
O levantamento foi realizado pelo painel AmeriSpeak, da NORC, entre 9 de agosto e 26 de setembro de 2024, com financiamento da Fundação Lilly. Os resultados ainda não foram publicados oficialmente e estão sendo preparados para um livro, informou o pesquisador responsável, Rick Richardson, professor de evangelismo e liderança no Wheaton College.
Interesse espiritual x participação
Richardson declarou ao site The Christian Post que a Geração Z demonstra “alto interesse espiritual”, mas comparece cada vez menos às igrejas. Segundo ele, houve leve recuperação recente, principalmente entre homens e em denominações tradicionais, como a Igreja Católica. Entre os fatores que afastam o público jovem, a reação ao ex-presidente republicano aparece como um dos mais citados, ao lado de questões morais, redes sociais e partidarismo religioso.
Confiança e autenticidade
Na avaliação do pesquisador, reconquistar a Geração Z exige que ministérios tratem diretamente problemas de confiança. “Os jovens não esperam concordar com as igrejas em tudo, mas querem honestidade sobre posições e motivos”, afirmou. Ele acrescentou que explicar “o porquê” e demonstrar abertura para ouvir opiniões opostas facilita o retorno dos jovens aos templos.
Impacto político mais amplo
A influência do movimento político de Trump sobre o cristianismo nos Estados Unidos tem sido tema recorrente. No início de 2024, o presidente da Associação Nacional de Evangélicos, Walter Kim, advertiu que a política de deportações do ex-governo provocou medo em congregações formadas por imigrantes, levando muitas a migrarem para cultos on-line, fecharem portas ou registrarem forte queda de público. Igrejas multiétnicas relataram impactos semelhantes.
Com informações de Folha Gospel