Em 1988, James Kilgo lançou o livro Deep Enough for Ivorybills, que rapidamente foi comparado à obra Pilgrim at Tinker Creek de Annie Dillard, publicada em 1974. Dillard reconheceu essa conexão e, na introdução de um livro que editou, Modern American Memoirs, recomendou a leitura de Kilgo. A relação entre os dois começou com uma carta de Dillard a Kilgo, que deu início a uma correspondência que durou até a morte de Kilgo em 2002. Infelizmente, Dillard também faleceu recentemente, no dia 15 de setembro de 2023.
Apesar da longa amizade por meio das cartas, Dillard e Kilgo se encontraram pessoalmente apenas uma vez. Essa história, que Kilgo adorava contar, é uma lembrança divertida do encontro. Kilgo, meu professor na Universidade da Geórgia, e eu compartilhávamos a admiração por Dillard, cuja obra me inspirou a me tornar escritor.
Kilgo e Dillard pertenciam à mesma geração, com Kilgo nascido em 1941 e Dillard em 1945. No entanto, suas aparências eram bem diferentes. Kilgo, com sua cabeça calva e barba grisalha, exibia um estilo clássico de professor universitário, enquanto Dillard, que publicou Pilgrim em sua juventude, tinha uma aparência jovem e vibrante.
Em um dia comum de 1988, enquanto Kilgo avaliava redações em seu escritório, uma mulher com cabelo loiro parou em sua porta. Ela perguntou se ele era o Dr. Kilgo e se lecionava um curso sobre romances americanos do século XX. Quando perguntou sobre a carga de leitura e de escrita do curso, Kilgo, já perdendo a paciência, insinuou que talvez o curso não fosse adequado para ela. A mulher então sorriu e se apresentou: “Jim, eu sou Annie Dillard.”
A história, repleta de humor sutil, reflete o estilo de Dillard e a admiração que Kilgo tinha por ela. Após o encontro, os dois passaram várias horas juntos, embora não se saiba o que discutiram.
Ambos compartilhavam uma fé cristã, embora de maneiras diferentes. Kilgo era um professor abertamente cristão, enquanto a fé de Dillard era mais complexa. Ela nasceu em um contexto protestante liberal, converteu-se ao catolicismo e, mais tarde, se distanciou dessas tradições. Em um artigo de 2020, Dillard disse: “Eu me identifico como cristã”, embora tenha expressado dúvidas sobre sua crença.
Com a perda de Dillard, sinto falta de ambos: de Kilgo, que foi meu mentor, e de Dillard, que conheci apenas através das histórias de Kilgo e de suas obras. Contudo, suas contribuições literárias permanecem eternas.
Fonte: Christianity Today.









