Brasília – Micro e pequenas empresas brasileiras entraram em contagem regressiva para definir, até setembro de 2026, o enquadramento tributário que vigorará a partir de 2027. A decisão, antecipada por resolução recente, exige que o empresário opte entre manter-se no Simples Nacional, aderir ao chamado Simples Híbrido ou migrar para o Lucro Real.
A escolha ocorre em meio a dois fatores de pressão: juros médios de 24,6% ao ano para pessoa jurídica e custos logísticos inflados pelo preço do diesel. Especialistas ouvidos pelo setor afirmam que o resultado dessa equação impactará diretamente o fluxo de caixa das companhias.
Crédito de impostos define competitividade
Com a implantação dos tributos sobre consumo – Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) – clientes corporativos tendem a priorizar fornecedores que gerem créditos fiscais integrais. No regime atual do Simples, esse aproveitamento é parcial, o que encarece a compra para o contratante e pode afastar microempresas de cadeias maiores.
“Split payment” enxuga capital de giro
Outra mudança estrutural é o split payment: a cobrança automática dos impostos no exato momento do pagamento da nota. Hoje, o valor devido permanece alguns dias na conta da empresa antes do recolhimento e funciona como capital de giro. A retenção imediata elimina esse fôlego diário e exige gestão de caixa mais rígida.
Taxa de juros freia investimento em tecnologia
Com a Selic elevada e o crédito empresarial a 24,6% ao ano, financiar softwares de gestão ou integração de sistemas tornou-se caro. Sem automação, as PMEs correm risco de calcular equivocadamente os novos tributos por valor agregado e, consequentemente, formar preços abaixo do custo.
Principais armadilhas
Consultores apontam três erros críticos a evitar: ausência de integração entre plataformas de venda e contabilidade, manutenção de fornecedores informais (que não geram créditos) e tratar a reforma apenas como tema contábil, e não estratégico. A falta de adaptação pode refletir em perda de mercado já nos primeiros meses de 2027.
Segundo entidades empresariais, o momento é de análise detalhada de cenários, simulações de carga tributária e revisão de processos internos, sob pena de comprometer a sobrevivência do negócio nos próximos anos.
Com informações de Gazeta do Povo