O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que a equipe econômica é “o menos culpado” pela permanência da taxa Selic em nível elevado e negou que a política fiscal do governo seja o principal motivo dos juros altos. A afirmação foi feita em entrevista ao portal G1 nesta quinta-feira (4).
Durigan sustentou que a discussão sobre o custo do dinheiro não deve ficar restrita às contas públicas. “O debate fiscal importa para a taxa de juros, mas não é a solução, porque essa é a resposta fácil”, afirmou.
Meta de superávit e corte de benefícios
Para conter a trajetória da dívida, o ministro disse que o governo combinará contenção de despesas e redução de benefícios fiscais. O plano prevê superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027; 1% em 2028; 1,25% em 2029; e 1,5% em 2030.
“O Brasil tem que seguir fazendo um esforço fiscal grande para limitar o crescimento da dívida. Tudo o que o Ministério da Fazenda puder fazer para harmonizar a política monetária, nós faremos”, disse.
Crédito subsidiado não afeta Selic, diz ministro
Durigan minimizou o impacto de linhas de crédito com juros reduzidos lançadas em ano eleitoral, como programas para compra de veículos, caminhões, ônibus, reformas de imóveis e o Desenrola 2.0. Segundo ele, o mercado de crédito movimenta cerca de R$ 600 bilhões ao mês e os programas representam montante pequeno diante desse volume. “Não me parece que as políticas que a gente tem feito tenham impacto macroeconômico”, afirmou.
Tributação de renda e patrimônio
O titular da Fazenda voltou a defender a tributação de lucros e dividendos e a revisão de incentivos fiscais, estimados em mais de R$ 600 bilhões ao ano. A pasta já decidiu cortar 10% desses benefícios em 2026. “A diretriz é tributar menos o consumo e mais a renda e o patrimônio”, disse.
Cenário fiscal pressiona juros, apontam especialistas
Apesar das declarações do ministro, economistas e o Banco Central atribuem a demora na queda da Selic à deterioração das contas públicas. O Brasil registra déficits quase contínuos desde novembro de 2014 e a dívida bruta se aproxima de 80% do PIB, tendência que, segundo analistas, reforça a cautela da autoridade monetária.
Com informações de Gazeta do Povo