O governo federal autorizou os Correios a ampliar o portfólio de serviços e ingressar em novos mercados, como venda de seguros e operação de telefonia móvel virtual, numa tentativa de estancar o prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões registrado em 2025.
A medida, publicada em portaria na última semana, permite que a estatal comercialize ou intermedeie seguros de automóvel, vida, residência e viagem, além de consórcios, títulos de capitalização, aplicações financeiras, cupons, vales e bônus promocionais. Antes da implementação, cada serviço deverá passar por estudo que comprove viabilidade econômico-financeira.
Parcerias e estrutura existente
A estratégia prevê acordos com instituições financeiras para utilizar a rede de agências dos Correios na oferta dos novos produtos. Na área de telefonia, a empresa poderá atuar como operadora móvel virtual, sob regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O texto também autoriza a expansão dos serviços logísticos já prestados, incluindo gestão de compras, armazenagem, movimentação e separação de cargas.
Aporte futuro e empréstimo bilionário
Mesmo com a diversificação, o governo admite a necessidade de apoio financeiro adicional. Em março, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, informou que está previsto um aporte de capital do Tesouro Nacional em 2027. O reforço faz parte do contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões assinado em dezembro de 2025 entre os Correios e um consórcio de bancos.
Paralelamente, a companhia adota medidas de contenção de custos, como programas de demissão voluntária, fechamento de até mil agências deficitárias e venda de imóveis que podem render cerca de R$ 1,5 bilhão.
Segundo balanço do segundo trimestre de 2025, aproximadamente 71% das localidades atendidas operam sem lucro, consequência da obrigação legal de universalizar o serviço postal em regiões remotas.
Com informações de Gazeta do Povo