O Banco de Brasília (BRB) aprovou, em assembleia-geral extraordinária realizada nesta quarta-feira (22), um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. A injeção de recursos busca equilibrar as contas da instituição após o prejuízo provocado pelas operações com o Banco Master.
A capitalização ocorrerá por subscrição privada, aberta somente aos atuais acionistas. O patrimônio do banco, hoje em cerca de R$ 2,3 bilhões, poderá alcançar entre R$ 2,8 bilhões e R$ 11,1 bilhões, a depender da adesão.
Para manter o controle acionário, o Governo do Distrito Federal (GDF), que detém 53,71% das ações, precisará aportar aproximadamente R$ 5,3 bilhões.
Crise teve origem em negócios sob investigação
O rombo no BRB decorre de operações conduzidas pelo ex-presidente Paulo Henrique Costa com o Banco Master. Costa foi preso por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspeito de facilitar a compra de ativos fraudulentos em troca de seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões. Segundo a investigação, a transação foi interrompida em R$ 74,6 milhões após o empresário Edemar Cid Ferreira, conhecido como Vorcaro, descobrir que estava na mira das autoridades. A prisão de Costa é analisada pela Segunda Turma do STF em plenário virtual.
Socorro legislativo e nova gestão
Em março, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou um pacote de ajuda que autoriza a utilização de imóveis públicos em fundos de investimento e a contratação de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A lei é contestada na Justiça pela oposição, que alega ausência de estudos técnicos e risco ao patrimônio público.
Desde julho de 2025, o BRB é presidido por Nelson Antônio de Souza, ex-comandante da Caixa Econômica Federal. Ele afirmou que fará uma revisão nas carteiras de crédito para se desfazer dos chamados “ativos podres”.
Com informações de Gazeta do Povo