Kyiv, 20 de julho de 2026 – A ofensiva maciça de drones conduzida pela Ucrânia contra instalações energéticas da Rússia já tirou de operação mais de 25% da capacidade de refino do país de Vladimir Putin, segundo levantamento citado pelo The Wall Street Journal. A estratégia, focada em refinarias e navios petroleiros, tem reduzido receitas de exportação de petróleo e provocado falta de combustíveis no mercado interno russo.
Todas as dez maiores refinarias russas sofreram ataques nos últimos meses. Entre os alvos, está a refinaria de Omsk, a maior do país, localizada a cerca de 2,4 mil quilômetros da fronteira – distância superada pelo modelo ucraniano FP-1, com alcance de até 2,9 mil quilômetros. Outro vetor empregado é o Liutyi, capaz de voar quase 2 mil quilômetros.
O coronel da reserva e analista militar Paulo Roberto da Silva Gomes Filho destaca que Kiev alcançou “escala, diversidade tecnológica, produção nacional e rapidez de adaptação” em seu programa de drones. “As informações de combate retornam rapidamente aos fabricantes, que ajustam navegação, comunicações, blindagem eletrônica, ogivas e perfis de voo”, afirmou à Gazeta do Povo.
Importação de gasolina e proibição de exportar diesel
Com a queda na produção interna, Moscou recorre ao mercado externo. A agência Reuters apurou o envio recente de 60 mil toneladas de gasolina da Índia para a Rússia e aponta planos do governo russo de importar até 400 mil toneladas mensais de vários países, inclusive Belarus. Paralelamente, o vice-primeiro-ministro Alexander Novak decretou a suspensão temporária das exportações de diesel até 31 de julho.
Em relatório divulgado na semana passada, a consultoria russa MMI avaliou que a crise de combustíveis já pressiona a atividade econômica. Após crescer entre 1% e 1,5% ao ano em março e abril, a economia desacelerou em maio e entrou em trajetória de queda em junho. Caso o parque de refino não seja restabelecido, o PIB russo pode recuar de 1% a 1,5% em 2026, projeta a empresa.
Desafio de defender um território vasto
Para Gomes Filho, a Rússia encontra dificuldades em neutralizar a ofensiva aérea porque precisa proteger simultaneamente refinarias, depósitos, bases aéreas, fábricas, centros de comando, cidades e a própria linha de frente. “O cobertor fica curto. Não há sistemas de defesa antiaérea suficientes para todos esses pontos, e a Ucrânia procura justamente os menos protegidos ou lança ataques múltiplos para dispersar as defesas”, disse.
Até o momento, não há sinal de que Moscou tenha encontrado solução eficaz para conter a nova fase da “guerra dos drones”, enquanto Kiev amplia o alcance e a frequência das incursões aéreas não tripuladas.
Com informações de Gazeta do Povo