O falecimento de A. Raju, de 89 anos, no dia 17 de julho, no estado de Tamil Nadu, Índia, gerou uma controvérsia que expôs a discriminação de casta entre os cristãos. A família do falecido, que era católico, enfrentou resistência de grupos cristãos de castas superiores ao tentar sepultá-lo em um cemitério católico local.
A situação se agravou durante três dias de negociações entre as autoridades locais, líderes da igreja e os manifestantes, que se opuseram à sepultura de Raju. O bispo Jeevanandam Amalanathan descreveu os protestos como “vociferantes”. Apesar da resistência, as autoridades conseguiram garantir o sepultamento no cemitério de meio acre.
Este incidente reacendeu debates sobre as divisões de casta dentro da comunidade cristã indiana. Embora os Dalits, que ocupam a base da pirâmide de castas, representem cerca de 70% dos 28 milhões de cristãos no país, eles continuam excluídos de cargos de liderança nas igrejas católicas, protestantes e evangélicas.
Vincet Raj, um cristão pentecostal de Tamil Nadu, afirmou: “Se não abandonarmos as afiliações de casta após aceitar Cristo, devemos nos envergonhar de nos chamarmos cristãos.” Embora muitos Dalits tenham se convertido ao cristianismo em busca de igualdade e dignidade, a discriminação persiste.
As tentativas de corrigir essa situação têm sido lentas. Recentemente, a Conferência dos Bispos Católicos da Índia elegeu o arcebispo Anthony Poola, o primeiro cardeal Dalit, como seu presidente. No entanto, apenas 11 dos 200 bispos católicos do país são Dalits, enquanto 60% dos católicos indianos pertencem a essa classe.
As instituições protestantes e evangélicas, por sua vez, carecem de estruturas que possibilitem mudanças significativas. Richard Devadoss, presidente do National Dalit Christian Watch, observou que a discriminação de casta é uma realidade implícita e silenciada também nessas igrejas.
Além disso, Dalits enfrentam barreiras legais, já que os conversos ao cristianismo não podem reivindicar o status de Casta Programada (SC), que garante direitos a oportunidades de educação e emprego. Essa exclusão perpetua sua marginalização.
O caso de Raju, que lutou por direitos funerários iguais para todos os católicos, independentemente da casta, pode servir como um catalisador para mudanças necessárias dentro das igrejas. Advocados pelos direitos Dalit esperam que esse incidente leve a um diálogo mais amplo sobre a discriminação de casta nas comunidades cristãs.
Fonte: Christianity Today.










