A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e antigo controlador do Banco Master, revelou que uma análise técnica preliminar indicou modificações em arquivos do celular do investigado durante o período em que o aparelho esteve sob custódia da Polícia Federal (PF). Em resposta, os advogados protocolaram uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a preservação e entrega dos dados originais extraídos.
A análise foi realizada pelo perito Marcos Monteiro, da MM Forense, que atua como assistente técnico da defesa. Os advogados afirmam que Vorcaro não reconhece a autenticidade de vários conteúdos atribuídos ao celular, que foram divulgados pela mídia.
O celular foi apreendido em 17 de novembro de 2025 e é considerado a prova principal da Operação Compliance Zero. O aparelho continha conversas e mensagens íntimas, além de diálogos com advogados que foram utilizados na investigação.
A defesa aponta que, de acordo com o relatório da PF, houve 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal e três conexões USB entre a noite da apreensão e a madrugada seguinte, enquanto o celular estava em modo avião. Também foi identificado que, em 18 de novembro, 657 arquivos foram modificados e 436 novos arquivos foram criados.
Além disso, a defesa questiona a existência de 340 arquivos que apresentaram datas de modificação em maio de 2026, apesar da extração ter sido datada em novembro de 2025. Os advogados destacam a falta de explicações técnicas que justifiquem essa discrepância temporal.
Os advogados também mencionaram falhas na documentação da cadeia de custódia do celular, incluindo a ausência de informações sobre marca e número de série no termo de apreensão, além de inconsistências nas fotografias usadas para representar os aparelhos apreendidos.
A defesa exige acesso aos arquivos originais e aos registros técnicos da coleta, além de questionar a integridade dos dados apresentados, uma vez que não foi feita uma análise independente do conteúdo.
Por fim, os advogados solicitam a libertação de Vorcaro, que está preso há mais de oito meses sem acusação formal ou previsão de julgamento. Em resposta, a PF reafirmou que conserva o material original do celular e que as cópias entregues a ministros do STF correspondem à extração realizada, mantendo a documentação da cadeia de custódia e garantias de integridade digital.
Fonte: Revista Oeste.









