Um novo relatório da organização Equipping The Persecuted (ETP) destacou que, entre 1º de janeiro e 8 de setembro de 2023, um cristão é assassinado a cada 86 minutos na Nigéria. O estudo revelou que, durante esse período, 4.216 cristãos foram mortos, com a maioria das vítimas localizadas na região central do país, que recebe pouca atenção nas políticas de segurança nigeriana e americana.
A pesquisa identificou que a maior parte da violência contra comunidades cristãs agrícolas é motivada por questões religiosas e é perpetrada por redes militantes organizadas, principalmente grupos fulani. Estes grupos são responsáveis por mais mortes do que o Boko Haram e o Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) juntos.
O relatório enfatiza que a violência não deve ser tratada apenas como conflitos entre agricultores e pastores, mas sim reconhecida como uma perseguição religiosa. “Quando os ataques são minimizados a disputas locais, a natureza sistêmica da violência pode ser mal interpretada”, afirmam os autores do estudo.
Os dados mostram que os ataques incluem a destruição de vilarejos, incêndios em igrejas e o deslocamento forçado de comunidades inteiras. A ETP alerta que, embora existam disputas comunitárias, elas não explicam adequadamente a escala da violência enfrentada por essas populações. “As disputas podem levar a confrontos, mas não a uma onda de destruição sistemática”, destaca o relatório.
A ETP também aponta que, em comparação com dados anteriores, os grupos fulani têm causado um número significativamente maior de mortes do que outros grupos militantes. Os dados mostram que, em 2025, os fulani foram responsáveis por 2,5 vezes mais mortes do que o Boko Haram e o ISWAP juntos.
A organização estima que mais de 5 milhões de cristãos foram deslocados em decorrência da violência, com mais de 600 comunidades cristãs destruídas ou esvaziadas. A impunidade é um fator que perpetua essa situação, uma vez que os agressores frequentemente operam sem medo de represálias.
O relatório conclui que é necessária uma ação política e internacional coordenada para desmantelar as redes militantes e garantir o retorno seguro e voluntário das comunidades cristãs às suas terras ancestrais. “A resposta deve incluir segurança de longo prazo, além de ajuda humanitária, para evitar um ciclo contínuo de violência e deslocamento”, finaliza o documento.
Fonte: Folha Gospel.









