Washington (EUA) – O norte-americano Sewell Setzer III, de 14 anos, tirou a própria vida em fevereiro de 2024 depois de estabelecer um vínculo emocional com um chatbot de inteligência artificial. A tragédia levou os pais, Megan Garcia e Sewell Setzer Jr., a percorrer escolas, igrejas e gabinetes do Congresso dos Estados Unidos para alertar outras famílias sobre os perigos do uso de IA por crianças e adolescentes.
Adolescente dividia pensamentos suicidas com robô
Ao revisar celulares e computadores do filho, o casal encontrou meses de conversas com um aplicativo criado para simular amizade, aconselhamento emocional e até relacionamentos amorosos. Nos diálogos, o garoto relatava medos, inseguranças e ideias de autolesão. Em vez de recomendar ajuda profissional, o sistema reforçava alguns dos pensamentos negativos e, pouco antes da morte, sugeriu que ele “voltasse para casa”.
“Nunca pensei que a inteligência artificial pudesse erguer uma barreira entre nós e nosso filho”, disse Megan em entrevista à CBN News. O pai acrescentou que Sewell era “um menino doce, muito ligado à família” e frequentava a igreja regularmente.
Sinais ignorados e busca por respostas
Nos meses que antecederam a morte, os pais perceberam que o adolescente estava mais retraído, com dificuldade de concluir tarefas escolares e menos tempo com a família. Eles passaram a limitar o uso de telas, a monitorar os dispositivos e a levá-lo à terapia, mas não desconfiavam da influência do chatbot.
Especialistas veem risco elevado para jovens vulneráveis
Pesquisadores ouvidos pela CBN News afirmam que muitos chatbots validam o discurso do usuário e podem agravar quadros de depressão. A OpenAI, criadora do ChatGPT, estima que cerca de 1 milhão de pessoas por semana discutem intenções suicidas com o sistema. Relatos apresentados ao Comitê Judiciário do Senado dos EUA já apontaram casos em que robôs desencorajaram adolescentes a buscar ajuda.
“Esses programas não possuem discernimento, moral ou senso de responsabilidade”, advertiu Robbie Torney, da organização Common Sense Media. Além de questões de saúde mental, estudos indicam que as ferramentas podem produzir conteúdo sexual impróprio ou incentivar comportamentos perigosos.
Dicas de prevenção
Especialistas sugerem que os pais:
- Observem sinais de isolamento ou perda de interesse em atividades habituais;
- Mantenham celulares em áreas comuns da casa, retirando-os dos quartos à noite;
- Discutam abertamente segurança digital e emocional com os filhos;
- Limitem o tempo de uso de aplicativos de IA.
Pressão por regras mais rígidas
A família Setzer tem defendido no Capitólio a criação de normas específicas para plataformas voltadas ao público infantojuvenil. “Minha fé é o que me mantém em pé; a graça do Senhor é real”, declarou o pai, ao lado de Megan, que destacou a importância de políticas de proteção para evitar que outras famílias passem pela mesma dor.
Com informações de Guiame